1. Há empresários que desconhecem uma obrigação que tem dois anos e que não está a ser cumprida em muitas empresas. Homens e mulheres terão de ter os mesmos salários para funções idênticas, mas há empresas de ramos industriais tradicionais que continuam a diferenciar os salários pelo género. Há indústrias de calçado e têxteis onde os homens têm mais 20% de salário em média e constituem uma minoria entre a população trabalhadora.

O tema voltou à ribalta não apenas por questões políticas mas por estudos que saíram, que dizem ser necessário entre 100 e 200 anos para os salários equalizarem no mundo. Felizmente essa não é a realidade nacional. Aqui o tema é outro.

As regras de equalização de salários para as mesmas funções – que a esquerda prefere denominar de salário igual para a mesma categoria e a direita designa de salário igual para a mesma função – é um princípio que decorre da Lei Fundamental, mas que o Governo quis vincar há dois anos para empresas com 100 ou mais colaboradores. O Governo que deveria estar a fiscalizar os prevaricadores acabou por dar uma segunda oportunidade, e esta equalização tem mais dois anos para ser aplicada.

O tema não está, no entanto, a ter a devida relevância social. E, mais grave do que o impacto social, é o potencial impacto económico que não foi estudado, tal como não foram criadas condições para problemas futuros. O exemplo comum é a indústria do têxtil e do calçado, onde o elemento feminimo é preponderante na força laboral e o salário é, em média, 20% mais baixo do que o dos homens, como referimos. Isto significa que, no máximo, dentro de dois anos haverá aumentos substanciais da massa salarial em empresas industriais com mão de obra intensiva, cujo impacto será superior ao aumento de 5% no Salário Mínimo Nacional. E isto é relevante porque são indústrias em que o custo do trabalho é nuclear para o custo final do produto. O futuro pode ser a inviabilidade das unidades industriais e a destruição de emprego que não tem substituto em regiões de manufatura tradicional. Mais. Há empresários a quem o tema não diz nada e que, no momento da aflição, irão acusar o Governo de os levar à insolvência! É necessário voltar ao tema.

2. A semana está a ser sacudida pelo desenvolvimento da questão da Catalunha. Puigdemont, o ex-chefe do governo catalão, foi preventivamente para a Bélgica, não tendo assumido qualquer estatuto, mas evitou a detenção pelas autoridades de Madrid. A atitude valeu-lhe críticas e perdeu seguidores. Se fosse preso em Barcelona seria um herói e um mártir, assim é um fugitivo que terá de lutar para defender a opção que tomou, dentro dos parâmetros políticos e não dentro da categoria de ato criminoso. Acresce que a questão da independência catalã recuou 50 anos. Rajoy não deixou espaço de manobra à família catalã, que sai dividida e fragilizada.