O prémio REN, o mais antigo galardão português a reconhecer contribuições científicas, acaba de ser atribuído ao projeto de monitorização criado por Bruna Tavares, investigadora do Centro de Sistemas de Energia (CPES) do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC).
Imaginemos um robô que tem um percurso para fazer, que ao longo desse caminho capta sinais luminosos e acústicos para se orientar e que tem que combinar esses sinais de modo a formar um mapa interno que lhe explique a realidade exterior. Apliquemos agora o mesmo conceito ao sistema elétrico para percebermos o novo método proposto pela investigadora, que no fundo consiste em produzir de forma semelhante uma fusão sensorial de sinais captados por diferentes aparelhos para melhor entender o estado da rede elétrica nacional.
Questionada sobre qual a vantagem deste novo método, a investigadora, afirma que vai ajudar o operador a controlar e a aumentar a qualidade de serviço da rede, o que vai levar a um melhor desempenho no serviço prestado ao consumidor, e acrescenta: “para o consumidor final é dado como garantido o facto de ter energia a chegar a sua casa, mas para que isso seja possível, e com qualidade e precisão, é preciso ter em conta vários processos”.
Importa reter que o que existe atualmente passa pelos chamados sensores convencionais, que existem ao longo do sistema elétrico, e que visam medir o estado da rede. Mais recentemente, em países como o Brasil ou Espanha, surgiram também sensores mais avançados, que recolhem medidas do sistema elétrico com etiquetas temporais e de GPS. Estes sensores, que são muito caros, não precisam de ser colocados ao longo de toda a rede, desde que fundidos de forma correta com os sensores convencionais.
Neste contexto, Bruna Tavares vem então propor uma fusão da informação de diferentes classes de sensores, de forma a que a coexistência de diferentes tipos no mesmo sistema seja possível, o que conduz, por sua vez, a um aumento de precisão na estimação do estado da rede. Em Portugal esses sensores mais avançados ainda não existem, mas o método desenvolvido pela investigadora propõe precisamente um método que possibilita a sua inclusão tirando partido das diferentes características dos diferentes tipos de sensores. Já existe um outro método de fusão proposto, mas que não tem em consideração o facto de existirem propriedades diferentes entre sensores, como é o caso da precisão ou da probabilidade de falha.
O trabalho desenvolvido pela investigadora no âmbito da tese foi orientado por Vladimiro Miranda, administrador do INESC TEC e professor catedrático na FEUP, e coorientado por Jorge Pereira, investigador do INESC TEC e docente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP).
Alguns dos resultados alcançados pelos investigadores já foram apresentados no Texas e vão agora continuar a ser estudados no INESC TEC, em cooperação com o INESC P&D Brasil, para aplicar estes métodos à indústria.
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