O Banco Central Europeu (BCE) anunciou esta quinta-feira uma alteração da meta da inflação para 2%, atualizando o atual mandato de promover a estabilidade de preços de uma inflação abaixo, mas perto de 2%. No entanto, admite que podem existir períodos transitórios, durante os quais a inflação se fixe “moderadamente” acima da meta.
“O Conselho do BCE considera que a estabilidade de preços é assegurada mais eficazmente com um objetivo de 2% para a inflação a médio prazo”, explica Frankfurt em comunicado, no qual anuncia os resultados da revisão estratégica.
O Conselho de governadores do BCE acordou que o objetivo de 2% é simétrico, ou seja, consideram que os desvios negativos e positivos da inflação face ao objetivo são igualmente indesejáveis.
“Quando a economia está a funcionar próximo do limite inferior das taxas de juro nominais, são necessárias medidas de política monetária particularmente vigorosas ou persistentes para evitar que desvios negativos do objetivo para a inflação se enraízem. Tal pode também implicar um período transitório, durante o qual a inflação se situe moderadamente acima do objetivo”, assinalam.
Esta é a primeira revisão estratégica do banco central desde 2003, tendo o processo arrancado no início de 2020, mas sido interrompido devido à pandemia. Na revisão estratégica, aprovada esta quarta-feira, o Conselho do BCE confirmou igualmente que o conjunto das taxas de juro “permanece o principal instrumento de política monetária”.
O BCE assinala ainda que entre outros instrumentos, como as indicações sobre a orientação futura da política monetária, as compras de ativos e as operações de refinanciamento de prazo alargado, “que, ao longo da última década, ajudaram a mitigar as restrições geradas pelo limite inferior das taxas de juro nominais” irão continuar “a ser parte integrante do conjunto de instrumentos do BCE e serão utilizados conforme apropriado”.
“Tomando o mandato primordial do BCE de manutenção da estabilidade de preços como um dado adquirido, o reexame da estratégia permitiu-nos desafiar a nossa forma de pensar, interagir com múltiplas partes interessadas, refletir, discutir e chegar a um entendimento comum sobre como adaptar a nossa estratégia”, afirmou a presidente do BCE, Christine Lagarde, citada em comunicado, realçando que “a nova estratégia constitui uma base sólida, que nos norteará na condução da política monetária nos próximos anos”.
O BCE manteve ainda o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) como a medida que considera adequada para avaliar a estabilidade de preços, contudo, reconhecendo que “a inclusão dos custos da habitação ocupada pelo proprietário no IHPC representaria melhor a inflação relevante para as famílias e que a inclusão da habitação ocupada pelo proprietário no IHPC é um projeto plurianual”.
Neste sentido, irá incluir nas avaliações da política monetária, medidas da inflação que incluem estimativas iniciais dos custos da habitação ocupada pelo proprietário para complementar o seu conjunto de medidas da inflação mais amplas.
No âmbito da revisão estratégica, reconheceu ainda que as alterações climáticas “têm implicações profundas para a estabilidade de preços”, comprometendo-se com um plano de ação climática.
A primeira reunião de política monetária do Conselho de governadores do BCE, que já seguirá a nova estratégia, terá lugar no dia 22 de julho. Segue-se às 13h30 (hora de Lisboa), a conferência de imprensa de Christine Lagarde.
(Atualizado às 12h23)
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