O mundo será este ano como um recomeço, como o renascer para uma nova realidade. Um renascimento. As pessoas vão repensar os seus objetivos pessoais, de trabalho, saúde, dinheiro e espirituais. Grandes oportunidades estão a surgir para satisfazer todos esses requisitos e mudanças de pensamento que estão a acontecer.

O poder do contabilista, escondido na intangibilidade ao longo dos séculos, vai-se tornar tangível aos olhos de toda uma sociedade desiludida por um sistema judicial lento, obsoleto e dominado por mentes apodrecidas e nada iluminadas.

A consciência do papel do contabilista no governo das sociedades vai florescer, num papel absolutamente cocriador de um novo paradigma, um novo conjunto de mentalidades que, sem medo, apontam o dedo a comportamentos egocêntricos, com impactos diretos no aumento da pobreza e da infelicidade no mundo.

A inovação, a tecnologia, a solidariedade e o pensamento positivo são a base da nova realidade. Todos estamos a tempo de encontrar novos caminhos.

Os grandes problemas como educação, saúde, energia, segurança, política, destruição da classe média, ganham destaque. Grande capital é investido para fazer o bem, enquanto os problemas globais são resolvidos. Empreendedorismo social no seu melhor, com resultados financeiros muito substanciais.

E no empreendedorismo, os contabilistas vão ajudar muito a criar novos negócios e modelos de negócios com operações complexas que têm que ser estudadas e repensadas com vista a garantir a verdade das operações.

Todos são necessários, os nossos ilustres colegas de mais idade serão imprescindíveis como conselheiros dos que acabam de chegar ao mercado com sede de vencer e singrar num país que respeita a diversidade de opiniões, mas que é implacável quando toca a ferir comportamentos éticos e valores essenciais cujo efeito tem impacto na vida dos mais desprotegidos.

A forma como os contabilistas vão aplicar o seu tempo, vai focar-se na criação de valor nos empresários e nas empresas, e muito têm para dar, com o seu conhecimento, pela sua resiliência, pela sua capacidade extraordinária de se adaptar a todos os contextos de adversidade, de que foi exemplo a adaptação à Covid-19 e a todo o conjunto de medidas que os contabilistas tiveram de responder, leia-se, estudar, comunicar e aplicar na prática, em tempo recorde.

Os contabilistas vão estar mais focados no tempo kairos, o tempo da oportunidade e da realização e menos no tempo cronus, o tempo das horas dos minutos e segundos de resposta a burocracia e a atividades redundantes e sem sentido. O tempo de processamento vai dar lugar ao tempo de reflexão na ajuda à gestão e ao governo das micro e pequenas empresas.

As instituições terão que reconhecer a interdependência entre as profissões e, no caso dos contabilistas, instituições como a Autoridade Tributária e Segurança Social, que representam a grande maior parte do tempo consumido pelo profissional em plataformas, deverão assegurar um relacionamento preferencial, não sendo para isso necessário fazer compreender que os contabilistas, a uma só voz, bloqueiam um país com a sua paragem no exercício profissional.

À semelhança do que acontece com os médicos de clínica geral, que observam e examinam o paciente, antes de o encaminhar para as especialidades, assim acontece com os contabilistas, somos os médicos de clínica geral das empresas.

Este é um tempo de mudança para toda a sociedade e os contabilistas devem acompanhar os novos tempos e saber transformar-se. É preciso acompanhar a tendência crescente do digital e do e-commerce. Poucos negócios sobreviverão a longo prazo se ignorarem a importância do online, e os contabilistas têm que se adaptar a esta desmaterialização, ajudando e incentivando os empresários neste caminho inevitável.

Por outro lado, a questão Covid como tema principal, vai dar origem às mudanças climáticas e o impacto na nossa casa comum, as contas das empresas vão ter que dar reporte da responsabilidade social e da pegada ecológica gerada, com novos desafios, de especializações e conhecimento integral para os contabilistas.

Ser saudável de forma natural e sustentável é também uma tendência crescente, propiciando o nascimento de mais agronegócios sustentáveis, e o contabilista tem que estar preparado para disponibilizar informação e reporte de gestão ligada ao setor primário da economia de forma tempestiva e oportuna à tomada de decisão para a gestão.

Estes são apenas alguns exemplos do que podemos antever nos negócios. Estamos a assistir a grandes mudanças na sociedade e mais estão para vir. O contabilista deve antecipar-se e aproveitar esta ocasião para reforçar a importância do seu papel na vida económica, ao mesmo tempo que é um agente ativo na dinamização dos diferentes negócios. Porque a profissão de contabilista não vai acabar, vai transformar-se.