Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto e candidato a novo mandato, considera a polémica em torno do fecho do Queimódromo – local junto ao Parque da Cidade onde se realizam festas académicas e outras atividades lúdicas – enquanto centro de vacinas é “chicana política”. E acusou o candidato do PS ao seu lugar nas eleições de setembro de “estar a criticar o próprio Ministério da Saúde”, uma vez que o Queimódromo abriu enquanto centro de vacinas pela mão do ministério e não por sua decisão.
A polémica surgiu esta quinta-feira quando o candidato do PS à Câmara do Porto se mostrou solidário com a task-force na suspensão da vacinação no Queimódromo do Porto, tendo acusado o presidente da autarquia, Rui Moreira, de “passar culpas” e exigido o apuramento de responsabilidades.
“Perante o silêncio ensurdecedor da Câmara Municipal do Porto em relação a este caso, Tiago Barbosa Ribeiro reafirma a sua solidariedade com a task-force e apela a que todas as responsabilidades sejam apuradas”, afirma em comunicado a sua candidatura.
Rui Moreira convocou uma conferência de imprensa para explicar como foi tomada a decisão de abrir o Queimódromo como centro de vacinação: decorreu de um pedido enviado pela task force às câmaras municipais para que, na medida das suas possibilidades, ajudassem apoio esforço de vacinação.
Quando, em 24 de junho, dia de São João, Rui Moreira foi alertado para as más condições do centro de vacinação montado num espaço militar, as Transmissões, entendo, como também a task force, que o Queimódromo seria apropriado. Tanto mais que, sendo um espaço enorme, poderia acomodar facilmente ao aumento do número de utilizadores, induzido pela vacinação de jovens, que têm de ser acompanhados.
A Unilabs, empresa do sector onde trabalha o social-democrata Luís Menezes, entendeu poder fazer esse serviço sem que, disse Moreira, “faturasse o que quer que seja à Câmara ou ao Ministério da Saúde” – o que, não sendo por certo bom para o negócio, parecia ser uma solução confortável. Ora, perante um problema técnico surgido com a refrigeração das vacinas, o centro acabou por ser encerrado.
E Rui Moreira espera que ele venha a abrir novamente, uma vez que faz falta à cidade, na sua opinião: entre 8 de junho e 11 de agosto, foram ali vacinadas mais de 12.500 pessoas, explicou.
Na quinta-feira, em comunicado, a task-force anunciou que o centro de vacinação do Queimódromo, onde, na semana passada, a vacinação foi suspensa devido a problemas de refrigeração, só reabre depois de apuradas as causas do problema e do atraso na participação da ocorrência.
Salientando que a decisão tomada pela equipa liderada pelo vice-almirante Gouveia e Melo defende o interesse público, Tiago Barbosa Ribeiro criticou a atuação do presidente da Câmara do Porto, que em vários momentos ao longo dos últimos meses “atacou publicamente as autoridades em relação ao processo de vacinação e às medidas de contenção da pandemia”.
Rui Moreira afirmou que podem acusá-lo de pressionar, e continuará a fazê-lo sempre que considerar necessário, como aconteceu quando o governo decidiu descolar para Lisboa o grosso do esforço de vacinação, deixando o resto do país, ou parte dele, com níveis inferiores de proteção.
Rui Moreira disse ainda que não tem tempo para andar a fazer campanha eleitoral, ao contrário do seu adversário socialista, dado que está a trabalhar na autarquia a tempo inteiro.
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