[weglot_switcher]

“Inteligência artificial será muito importante no jornalismo. Não o vai salvar mas não o vai destruir”, diz fundador de think-tank

Charlie Beckett, jornalista, professor académico e fundador do Polis, considera que o cenário dramático que por vezes se levanta sobre os empregos de jornalistas roubados por robôs ainda é “ficção científica” e não “factos”.
Homem & Máquina
23 Novembro 2021, 08h00

O fundador e diretor do think-tank Polis, inserido no departamento de Media e Comunicações da London School of Economics (LSE), defende que a tecnologia tem poder para transformar por completo a forma como consumimos e pensamos o jornalismo e causar uma alteração estratégica e estrutural no sector, tanto como está a causar disrupção em indústrias como a banca ou o retalho.

“A inteligência artificial (IA) vai ser muito importante para o jornalismo. Não vai salvar o jornalismo, mas também não o vai destruir”, referiu o académico Charlie Beckett, na sessão do “Café IA” que se realizou esta segunda-feira, desta vez subordinada ao tema “AI and news: the new ecosystem of information”.

Jornalista durante mais de 20 anos, Charlie Beckett considera que o cenário dramático que por vezes se levanta sobre os empregos destes profissionais da comunicação roubados por robôs ainda é “ficção científica” e não “factos”, sobretudo porque existem outros problemas em torno do casamento entre a tecnologia e os media, como os enviesamentos e a discriminação ou a relação entre as organizações de media e as gigantes tecnológicas como a Google e o Facebook.

“Acho que é justo dizer que a IA é significante. Quando olhamos para como impacta o processo do jornalismo. Qualquer parte do processo jornalístico, desde a busca de histórias até à venda do conteúdo à audiência (através da geração de histórias, produção de conteúdo…), pode ser impactado por diversas formas de algoritmos, IA ou jornalismo data-driven [à base de dados]”, garante o líder deste think-tank.

Segundo o especialista, o jornalismo sofreu duas grandes mudanças relacionadas com o digital, há vinte anos com a internet e há 15 anos com a emergência das redes sociais, estando agora a viver-se uma terceira vaga causada por estas tecnologias de vanguarda (machine learning e Big Data). “Os jornalistas tendem a achar que são muito inteligentes, mas na verdade nós não sabemos muito sobre IA e como impactará o nosso negócio”, afirmou o professor da LSE.

“A maior parte das vezes que estivermos a usar machine learning não vamos perceber que a estamos a usar”, concluiu Charlie Beckett, no “café” organizado pelo grupo de investigação em Direito e Inteligência Artificial do Católica Research Centre for the Future of Law, da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Lisboa, moderado pelo jornalista, consultor e investigador académico Diogo Queiroz de Andrade.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.