Um novo estudo da Tink, plataforma de open banking, revela que os gestores executivos de empresas financeiras da Europa, reportaram um aumento na despesa com a tecnologia financeira que permite a partilha de dados e serviços de clientes entre instituições financeiras por meio da integração de seus respectivos sistemas.
Uma das principais conclusões é que o impacto da pandemia em 2020 conduziu a que as instituições financeiras europeias (Portugal, incluído) gastassem em média 32 milhões de euros em open banking. Um valor que fica abaixo do projetado que era de 50 a 100 milhões de euros.
Segundo o estudo, 47% dos gestores afirmaram que os seus orçamentos de open banking aumentaram em 2021. “Algo que surge após um ano de 2020 desafiante, em que as instituições financeiras lutaram contra restrições orçamentais e em que estiveram envolvidas numa corrida pela digitalização do serviço aos clientes”, diz a Tink.
O estudo analisa o impacto da Covid nos investimentos em 2020 e também o ano de 2021, nomeadamente o crescimento dos orçamentos, quais os segmentos da banca que mais investiram no open banking e para que finalidades.
O estudo da Tink – baseado nas respostas de 308 decisores de instituições financeiras em 12 países europeus, incluindo Portugal – descobriu que a pandemia de Covid-19 afetou os orçamentos de 93% das instituições financeiras, com quase um quarto (23%) a considerar que o impacto foi significativo.
No início de 2020, os executivos esperavam gastar, em média, entre 50 a 100 milhões de euros para alcançar os seus objetivos de open banking. “Com os enormes desafios da pandemia, a despesa média caiu para 32 milhões em 2020”, refere a análise.
Os bancos de retalho e as sociedades de gestão de fortunas contrariaram esta tendência – com gastos médios de 84 milhões e 79 milhões de euros, respetivamente, para atingirem os seus objetivos de open banking em 2020. “Esta discrepância na alocação do orçamento foi provavelmente motivada pela necessidade de um investimento significativo para a criação de APIs compatíveis com a diretiva PSD2 [nova Diretiva Europeia de Serviços de Pagamento], bem como para preparar as suas estruturas para responderem às necessidades atuais e futuras do open banking”, refere a Tink.
Investimentos de 2021 impulsionados pela mudança para o digital
Uma análise aos dados revela como os investimentos em open banking aumentaram durante 2021, com as sociedades de gestão de fortunas a registarem o maior aumento nos orçamentos (58%). Seguem-se os bancos grossistas (55%), fornecedores de crédito (51%) e challenger banks (50%).
O estudo da Tink revela que os serviços relacionados com pagamentos estão no topo das prioridades em termos de despesa em 2021. Mais concretamente, 72% das instituições financeiras veem os serviços de iniciação de pagamentos como o caso de uso mais importante para os seus negócios. “Isto sugere uma consciência crescente da necessidade do desenvolvimento de soluções de pagamento que proporcionem serviços mais simplificados para os clientes”, refere o comunicado.
A segunda área mais importante nos casos de uso, segundo a Tink, “foi ao nível das melhorias na experiência do cliente e no processo de onboarding – com a verificação de contas, verificação de identidade e verificação de ativos a registarem valores idênticos entre 71% os executivos”.
“Estes casos de uso tornam, não só, mais fácil aos bancos tomarem melhores decisões de crédito por via de uma visão holística e em tempo real dos seus dados, como tornam mais simples aos utilizadores mudarem ou registarem-se em novos fornecedores de serviços financeiros”, salienta a Tink.
A implementação de casos de uso relacionados com o risco também é considerada extremamente importante na análise com as avaliações do risco e da capacidade de crédito a ser prioridade para mais de dois terços (71%) dos executivos financeiros.
Ricardo Francisco, Market Lead da Tink em Portugal refere no comunicado, que “à medida que o open banking se move para o mainstream não ficamos surpreendido por ver um aumento do investimento em iniciativas “data-driven”. Os executivos financeiros estão a olhar de forma mais abrangente para os casos de uso do open banking – dos pagamentos, aos processos de decisão de crédito e até à monitorização da pegada de carbono -, desencadeando uma nova onda de criação de valor que irá beneficiar tanto os consumidores como as empresas”.
“À medida que olhamos para 2022, as conclusões deste relatório sugerem que as instituições financeiras deverão agir rapidamente uma vez que o open banking está a derrubar barreiras e a permitir que novos participantes entrem no mercado”, acrescenta o gestor.
“Para manterem vantagens competitivas, é importante que se concentrem em melhorar o seu negócio tradicional e que considerem trabalhar com parceiros para criarem soluções de open banking que criem valor em todas as áreas dos serviços financeiros. A construção de um ecossistema com agentes que cooperam será crucial conforme avançamos rumo a uma nova era de digitalização e de melhores experiências para os utilizadores”, conclui Ricardo Francisco.
No inquérito, os entrevistados também classificaram a importância dos casos de uso do open banking para as diferentes área de negócio. Os serviços de iniciação de pagamento lideram em importância com 72,1%. Já o cálculo da pegada de carbono está no fim das prioridades com 62,3%. “Apesar do cálculo da pegada de carbono aparecer no final da lista, é ainda um caso de uso altamente relevante para a maioria dos entrevistados (62%) – principalmente quando se olha para o segmento de banco de retalho onde foi classificado como a quarta prioridade geral”, diz a Tink.
Pelo terceiro ano consecutivo, a Tink – plataforma líder de open banking na Europa que permite bancos, fintechs e startups desenvolverem serviços baseados em dados financeiros – contou com a ajuda da organização independente de pesquisa de mercado YouGov para realizar um estudo amplo sobre as atitudes e opiniões em relação ao open banking na Europa.
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