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Doentes portugueses têm dificuldades técnicas nas teleconsultas, revelam médicos

Nas respostas recolhidas junto de 2.225 médicos que trabalhavam no SNS durante a primeira vaga de SARS-CoV-2, 47% dos profissionais assumiram dificuldades na adaptação do utente às tecnologias de comunicação, 23% destacaram a impossibilidade de receber documentos do utente e 20% salientou dificuldades em entregar a documentação ao utente.
29 Abril 2021, 11h20

A pandemia trouxe a possibilidade de teleconsultas aos hospitais, uma forma dos doentes evitarem frequentarem espaços de risco, mas os médicos do Serviço Nacional de Saúde admite que os doentes têm dificuldades técnicas durantes as consultas virtuais e telefónicas. De acordo o “Estudo da Opinião dos Médicos Sobre o Uso da Teleconsulta no Serviço Nacional de Saúde Durante a 1ª Fase da Pandemia Covid-19”, 99% das teleconsultas foram realizadas através de chamadas telefónicas e os médicos sentiram que os seus doentes tinham dificuldades neste método.

O estudo realizado pela Associação Portuguesa de Telemedicina (APT), com o apoio da Ordem dos Médicos, indicou que 85% dos médicos inquiridos no Serviço Nacional de Saúde não realizavam telemedicina antes da pandemia, mas 94% adiantaram que a situação pandémica alterou a realidade sentida ainda no início de 2020.

Nas respostas recolhidas junto de 2.225 médicos que trabalhavam no SNS durante a primeira vaga de SARS-CoV-2, 47% dos profissionais assumiram dificuldades na adaptação do utente às tecnologias de comunicação, 23% destacaram a impossibilidade de receber documentos do utente e 20% salientou dificuldades em entregar a documentação ao utente.

Relativamente à parte médica, 83% dos médicos alertou para a impossibilidade de realizar exames físicos enquanto 43% indicou ter dificuldade na transmissão de informação clínica ao utente. “Foram também identificadas pelos médicos dificuldades na perceção do estado clínico, inexistência de comunicação não-verbal, dificuldades em estabelecer uma relação médico-doente adequada, não reconhecimento da teleconsulta como consulta pelo utente e comunicação dificultada em alguns grupos de utentes em situações mais vulneráveis”, destaca o estudo realizado por Catarina O’Neill e Margarida V. Matias, do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental.

O presidente da APT, Eduardo Castela, reconhece que “o contacto entre médico e doente, da forma que foi feito, foi a solução possível para ultrapassar os constrangimentos da pandemia” durante a primeira vaga. “O estudo revela que estes contactos foram maioritariamente efetuados através de telefone. Precisamos de um investimento digital que seja consistente e estruturante, assegurando a criação de condições adequadas nas instituições de saúde para a realização de teleconsultas – em instalações, infraestruturas tecnológicas (redes, equipamentos e plataformas específicas), para que os registos, relatórios e requisições possam ser processadas adequadamente”, afirmou o presidente da APT.

“Contactos telefónicos não são teleconsultas e os inquiridos são claros quando, ao pretenderem manter esta modalidade de consulta, sustentam a necessidade de recorrer ao suporte vídeo nas teleconsultas. Poderá estar assegurado, nestas circunstâncias, o futuro da teleconsulta, exibindo assim sinais muito positivos para a afirmação da telesaúde no Serviço Nacional de Saúde, designadamente para incrementar a capacidade de resposta do SNS após o surto pandémico”, destaca Eduardo Castela.

O estudo adianta ainda que só 8% dos médicos utilizou um formato vídeo nas teleconsultas, e que estas foram praticadas em plataformas não específicas para a telesaúde, como o WhatsApp (49%), Microsoft Teams (25%), Zoom (22%), Skype (21%), GoogleMeet (6%), RSE Live (3%) e Medigraf (2%).


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