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Vírus é endémico e sazonal, mas é preciso manter vigilância, diz especialista do ISPUP

O especialista Henrique Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) disse esta quarta-feira, no Infarmed, que o “momento é de agir, mas temos de o fazer tão devagar quando necessário porque o tempo do nosso convívio com a infeção é ainda relativamente curto e é fundamental estar muito atento àquilo que possa vir a surgir”.
16 Fevereiro 2022, 11h03

O especialista Henrique Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) disse esta quarta-feira, no Infarmed, que há muito tempo que se tem vindo “a esboçar uma aproximação de sazonalidade” e “há muito que estava a endemizar” o coronavírus. A proteção, afirma, terá de passar a ser contra elas e continua a passar pela vigilância.

Durante a sua intervenção na reunião de especialistas, o investigador relembrou que “as pandemias não duram eternamente” e que entramos numa fase endémica. Esta mudança, defende, foi possível devido às medidas governamentais de controlo nas fases mais críticas, mas também aos comportamentos individuais pelo uso continuo da máscara, mas sobretudo devido à vacinação.

“O caminho de saída existe”, disse, sublinhando que já ultrapassamos algumas das regras colocadas pelo diretor geral da OMS em abril de 2020 como a escalada das medidas de prevenção e o controlo de fronteiras. Entretanto, algumas permanecem, como a testagem da generalidade das pessoas, “mas adicionaram-se as vacinas”, destaca, como ponto de viragem da pandemia.

Henrique Barros sinalizou o aumento da incidência, “duas a quatro vezes maior” em relação ao inverno passado e a diminuição do risco da doença como sinais positivos de mudança de cenário. “Há uma compreensão de que o vírus circulava e que era preciso viver com ele”, disse.

Usando uma amostra da população no Porto para avaliar a evolução da infeção, concluiu que, a nível nacional, “é  necessário sinalizar bem o caminho, e o momento é de agir, mas temos de o fazer tão devagar quando necessário porque o tempo do nosso convívio com a infeção é ainda relativamente curto e é fundamental estar muito atento àquilo que possa vir a surgir”.

Para isso, considera de “importância excecional” reforçar a vigilância cuidadosa e continuada, apelando a que as pessoas não deixem de fazer testes e que não desvalorizem os contágios, como é normal que aconteça “com a mudança do nosso estilo de vida”.


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