[weglot_switcher]

Mundo sofreu perdas de 289 mil milhões de euros com eventos climáticos

O estudo detalha que o número de desastres diminuiu para 401, face aos 416 verificados em 2020, o que mostra que os eventos climáticas estão a ser mais caros e apresentam uma maior gravidade.
17 Fevereiro 2022, 14h37

As alterações climáticas estão cada vez mais visíveis. Em pleno fevereiro quase ainda não choveu e o mundo está a sofrer uma seca que pode vir a afetar severamente a agricultura e prejudicando as colheitas para alimentos de gado e dos humanos.

O relatório Weather, Climate and Catastrophe Insight da Aon, empresa mundial de serviços profissionais nas áreas de risco, reforma e saúde, revelou que o mundo registou um total de 343 mil milhões de dólares (301,66 mil milhões de euros) em perdas económicas no ano passado, sendo que 329 mil milhões de dólares (289,44 mil milhões de euros) foram resultantes de eventos climáticos.

Assim, 2021 tornou-se o terceiro ano com os maiores custos associados a eventos climáticos. O estudo detalha que o número de desastres diminuiu para 401, face aos 416 verificados em 2020, o que mostra que os eventos climáticas estão a ser mais caros e apresentam uma maior gravidade.

O relatório mostra que apenas 38% dos eventos climáticos ocorridos em 2021 foram cobertos por seguros. “Apesar do crescente compromisso de empresas, Estados e do próprio setor segurador em trabalhar no sentido de responder à crise climática que atravessamos e que fortemente impacta todos os países a nível económico, este novo relatório vem demonstrar que ainda nos encontramos no início da jornada. É, por isso, necessária maior ousadia na visão do risco climático e desenharmos novas soluções de proteção que consigam atenuar o impacto financeiro espoletado pelas catástrofes climáticas e, consequentemente, assegurar a sustentabilidade dos negócios e países”, apontou Anabela Araújo, chief broking officer claims director da Aon Portugal.

O presidente dano adianta que “existe um lacuna de proteção e inovação quando se trata de risco climático” e que “à medida que os eventos catastróficos aumentam em gravidade, a maneira como avaliamos e nos preparamos para esses riscos não pode depender apenas dos dados que temos do passado”. “Precisamos de olhar para a tecnologia, como a Inteligência Artificial e modelos predicativos que estão constantemente a aprender e a evoluir para mapear a volatilidade de um clima em mudança”, explicou.

O ano de 2021 ficou também marcado por ser o quarto ano em que os eventos climáticas superaram a barreira dos mil milhões de dólares em perdas económicas.  O furacão Ida, que atingiu os Estados Unidos e as Caraíbas, foi o desastre climático que gerou mais perdas económicas no último ano, num total de 75,3 mil milhões de dólares (66,24 mil milhões de euros).

Por sua vez, as cheias de julho na Europa Ocidental e Central tornaram-se o desastre climático mais caro do continente europeu, tendo alcançado perdas de 45,6 mil milhões de dólares (40,11 mil milhões de euros).

Numa análise específica à Península Ibérica, a Aon percebeu que se registaram perdas superiores a 150 milhões de dólares (131,92 milhões de euros) devido ao mau tempo que ocorreu entre 29 de maio e 14 de junho. Também a altura em que aconteceu o mau tempo nota que as alterações climáticas estão a perturbar fortemente o ecossistema.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.