[weglot_switcher]

Preço da eletricidade no MIBEL deverá manter-se acima dos 150 euros/MWh até ao final do ano (com áudio)

Desde meados do ano passado, o preço grossista da eletricidade em Portugal e Espanha atingiu novos tetos e não mais voltou abaixo desse patamar. Para 2022, e tendo em conta vários factores, antecipa-se que a tendência se mantenha com a Schneider Electric a sugerir ao JE que a margem do preço da eletricidade no MIBEL se mantenha entre os 150 e os 200 euros.
22 Fevereiro 2022, 07h55

Olhando para os últimos quatro anos, o preço médio mensal da eletricidade no MIBEL (mercado ibérico de eletricidade) foi rondando a faixa dos 50 a 60 euros por megawatt  (MWh), e até ao início da vaga de preços recorde do ano passado o mês mais caro tinha sido setembro de 2018, com 71 euros por MWh, de acordo com os dados do OMIE, o operador do mercado diário do MIBEL.

A partir de meados do ano, o preço grossista da eletricidade em Portugal e Espanha ultrapassou os 100 euros por MWh e não voltou a baixar desse patamar. E para 2022, estima-se que a tendência se mantenha, podendo até voltar a atingir novos máximos nos próximos 12 meses.

Ao Jornal Económico, Esther Vela, senior energy consultant da Schneider Electric, frisa que os preços da energia elétrica vão continuar “intimamente ligados” à evolução do mercado de gás e das emissões, “enquanto a capacidade de energia renovável e de armazenamento não conseguir reduzir o gap térmico, que atualmente está preenchido principalmente por gás (…) o que não se espera que seja possível alcançar a curto prazo”.

E se até 2023, a empresa de gestão e automação da energia antecipa que o preço da eletricidade se mantenha acima dos 100 euros/MWh — ” embora venham a sofrer uma redução gradual ano após ano” — é certo que ao longo de 2022, os preços venham a manter-se “acima dos 150 euros/MWh”. Recorde-se que o MIBEL fechou janeiro com um preço médio grossista de 201,89 euros por MWh/hora, o mais alto preço de sempre para um mês de janeiro em Portugal e Espanha e o segundo mês mais caro na história do Mibel, apenas atrás dos 239,27 euros por MWh registados em dezembro.

“Com base nestas cotações, pode concluir-se que o preço permanecerá no intervalo dos 150-200 euros/MWh, ligeiramente abaixo da média de preços do último trimestre de 2021”, estima a especialista ao JE.

Rússia. Falhas no fornecimento de gás não vão afetar Portugal de forma “significativa”

E se as preocupações meteorológicas podem influenciar o preço da eletricidade, e de outras matérias primas como o gás, é certo que as tensões geopolíticas também podem desempenhar um papel — nomeadamente as tensões entre a Ucrânia e a Rússia.

“Ao longo de 2021, a Rússia limitou o abastecimento de fluxos adicionais para a Europa, tendo sido a principal causa de tensão deste mercado nesse ano”, refere Esther Vela, argumentando que a contenção do envio de gás foi interpretada “como uma medida de pressão por parte da Rússia em relação à Europa, principalmente para acelerar a implementação do novo gasoduto Nord Stream 2”, a nova aposta da Rússia para diminuir o envio de gás para a Europa através da Ucrânia.

Assim, as tensões entre os dois países poderá ser “mais um fator que pode incentivar a continuidade destas medidas de pressão sobre os envios de gás e, portanto, sobre os preços do mercado”, ainda que nos últimos dias se tenha assistido a uma “ligeira redução do preço do gás”. No entanto, à medida que os receios de uma invasão aumentam e surgem relatos de ataques e novas movimentações, é possível concluir que essa tendência não se irá manter.

Quanto a Portugal, a consultora deixa frisado que a redução do fornecimento do gás russo para a Europa não terá um grande impacto, uma vez que o país tem as maiores reservas de gás natural da União Europeia. À data atual, as reservas do país totalizam 82,4% da capacidade de armazenamento, de acordo com os dados da Gas Infraestructure Europe (GAI).

“Do ponto de vista da segurança do abastecimento, a dependência do gás russo na Península Ibérica não é significativa – nomeadamente em Portugal, em que o gás russo não representa mais de 15% do total de gás importado”, informa.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.