O Credit Suisse Group AG juntou-se ao rival UBS Group AG ao acionar chamadas de margem (margin calls) em clientes ricos que usam ativos russos como garantia, depois do seu valor ter caído na sequência de extensas sanções impostas à Rússia, avança a “Bloomberg”.
Os ativos russos usados como colateral das contas-margem “derreteram” e isso consumiu a margem de segurança das contas-margem. O bancos suíços estão por isso a executar as margin calls dos clientes do private banking que tinham dado ativos russos como colateral.
Uma chamada de margem é o termo para fazer referência à situação na qual o valor da conta de títulos de um cliente (isto é, o capital total depositado na conta menos o benefício/perda) desce a baixo da margem requerida. Neste ponto, as posições correm o risco de ser fechadas automaticamente.
Em concreto, as margin calls são uma chamada de margens, o que é o mesmo que uma chamada de novas garantias exigidas ao cliente quando as garantias existentes não são suficientes para que o corretor mantenha a alavancagem do cliente. Quando o corretor executa essa chamada, o investidor tem duas opções. A primeira é fornecer mais garantias à conta e a segunda é permitir que o corretor encerre essa posição, ou parte dela, materializando perdas.
O segundo maior banco da Suíça está a pedir aos clientes do private banking que depositem mais garantias depois de reduzir os valores dos empréstimos em títulos russos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto citadas pela “Bloomberg”.
Outros bancos com a área de gestão de património, incluindo o Banque Pictet & Cie SA, também acionaram as margin calls, segundo a “Bloomberg” que diz que não é ainda claro a extensão das margin calls e se todas foram atendidas. Mas a velocidade da invasão russa da Ucrânia e a resposta dos EUA e da Europa deixaram clientes que investiram em ativos russos face a um congelamento dos fundos e exigência de mais garantias.
Os ativos russos e o rublo caíram a pique à medida que a economia do país está a ser alvo de sanções do Ocidente por causa do conflito na Ucrânia. As medidas estão a prejudicar a capacidade da Rússia de usar reservas para defender sua moeda, levando o rublo a cair em queda livre. Vários dos maiores bancos do país foram impedidos de operar no sistema financeiro global e as agência de rating baixaram a classificação do país para lixo.
A “Bloomberg” informou na semana passada que vários bancos suíços reduziram o valor que estavam dispostos a emprestar contra ativos russos, em alguns casos para zero. Títulos dos bancos sancionados Sberbank da Rússia PJSC e VTB Bank PJSC estão entre esses ativos, avança a “Bloomberg”.
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