O banco suíço UBS revelou que tem 10 milhões de dólares (9,18 milhões de euros) em empréstimos a clientes atingidos pelas sanções ocidentais impostas em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia, segundo o relatório do banco citado pelo “Financial Times”.
A maior gestora de patrimónios do mundo disse que a sua exposição direta ao risco da Rússia era de 634 milhões de dólares (582 milhões de euros) no final de 2021, de sua exposição total aos mercados emergentes de que somava no fim do ano 20,9 mil milhões de dólares (19,2 mil milhões de euros).
O banco suíço também anunciou no seu relatório anual divulgado esta segunda-feira que tem cerca de 200 milhões de dólares (184 milhões de euros) de exposição a ativos russos usados como garantia na carteira Lombard, que são empréstimos garantidos contra uma carteira de ativos líquidos, como ações e títulos, e outros financiamentos garantidos.
O crédito Lombard é a concessão de crédito aos bancos contra itens dados em penhor, principalmente na forma de valores mobiliários ou apólices de seguro de vida.
Na comparação, o austríaco Raiffeisen reportou uma exposição direta à Rússia de 22,9 mil milhões de euros, enquanto os franceses Société Générale e Crédit Agrícole reportaram 18,6 mil milhões de euros e 4,9 mil milhões de euros de exposição, respectivamente, e o ING da Holanda reportou 6,7 mil milhões de euros, segundo o FT.
O lucro líquido do UBS atribuível aos acionistas em 2021 foi de 7.457 milhões de dólares (6.848 milhões de euros)e o lucro por ação foi de 2,06 dólares, inalterado em relação ao lucro líquido não auditado publicado no passado dia 1 de fevereiro.
“O UBS também está atualmente a monitorizar o risco de liquidação de certas transações abertas com bancos russos e contrapartes não bancárias ou colaterais russos, à medida que os mercados fecham, a imposição de controles cambiais, sanções ou outras medidas podem limitar a nossa capacidade de liquidar transações existentes ou executar as garantias, o que pode resultar em aumentos inesperados nas exposições”, disse o banco.
O UBS revelou também que tem 51 milhões de dólares (47 milhões de euros) em ativos na sua subsidiária russa.
Separadamente, o grupo revelou que os administradores executivos do banco sofreram uma queda de 1% nos bónus anuais, refletindo a perda de 861 milhões de dólares que o banco teve com o colapso do family office Archegos Capital, que era um cliente de corretagem de primeira linha.
Os oligarcas russos há muito que escolheram os gestores de património suíços devido à estabilidade e às leis de sigilo do país. Segundo o FT a riqueza russa responde por cerca de 1% do investimento estrangeiro direto anual na Suíça.
Mas a decisão do governo suíço no mês passado de quebrar a sua tradição de neutralidade política e acompanhar as sanções da UE tornou os bancos do país muito menos atraentes para os oligarcas.
Os preços das ações dos bancos europeus caíram na manhã desta segunda-feira, quando aliados ocidentais consideraram uma proibição à importação de petróleo russo.
O índice Stoxx Europe 600 Banks caiu 5%. As ações do Raiffeisen caem 9%, enquanto as dos UBS, SocGen e ING caíram 8% no início das negociações.
As ações do BCP caem 5,38% para 0,13 euros. Já em Espanha o Santander recua 3,22%.
“Estamos a trabalhar para implementar sanções impostas pela Suíça, EUA, UE, Reino Unido e outros – todos anunciaram níveis sem precedentes de sanções contra a Rússia e contra certas entidades e cidadãos russos”, disse a UBS no relatório.
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