A Grande Barreira de Corais, na costa australiana, está a ser atingida por um evento de branqueamento em massa, reporta o “The Guardian” citando a autoridade do parque marinho. Imagens aéreas da zona mostram que nenhum recife de corais, num raio de 1.200 quilómetros, está a conseguir escapar à subida da temperatura da água.
Este é o sexto evento de branqueamento reportado publicamente pelas autoridades do parque marinho.
O novo alerta é um novo marco alarmante para o oceano e para as criaturas que este alberga. Os cientistas esperavam que a quebra da temperatura, apesar da falta de chuva, fosse um sinal de recuperação para os corais. Atualmente está a decorrer o La Niña, um fenómeno natural que consiste na diminuição da temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico Tropical.
Os investigadores notam que o sexto branqueamento mostra a urgência de cortar ainda mais as emissões de gases de efeito estufa, uma vez que estes são os principais causadores para os branqueamentos sentidos numa das zonas mais sensíveis do mundo aquático.
David Wachenfeld assegurou ao “The Guardian” a improbabilidade do branqueamento durante o La Niña. “Mesmo dizendo isto, o clima está a mudar e o planeta e os seus recifes estão 1,5 graus mais quentes do que há 150 anos. Por causa disso, o clima está a mudar e acontecimentos inesperados são agora esperados”.
A Grande Barreira de Recife é composta por quatro áreas, num comprimento total de 2.300 quilómetros e 750 recifes individuais. As imagens indicam que o branqueamento está a decorrer em todas as áreas, sendo mais pronunciado numa extensão de 1.200 quilómetros. Os cientistas confirmam que este é o quarto branqueamento em massa desde 2016 e o primeiro verificado sob as condições do La Niña.
Os recifes mais próximos da costa entre as Ilhas Whitsunday e Cooktown são as que estão a sofrer o branqueamento mais extremo, embora o efeito esteja a ser verificado em toda a extensão do recife.
O branqueamento dos corais, normalmente coloridos, acontece quando o animal fica stressado com as temperaturas da água, muitas vezes acima da média. O coral começa a expulsar as algas que vivem dentro dele e lhes fornece alimentos e cor.
Investigações mostram que os corais conseguem sobreviver ao branqueamento mas que as temperaturas e consecutivos branqueamentos têm apresentado dificuldades à sobrevivência. O primeiro branqueamento foi observado em 1998, tendo acontecido novamente em 2002, 2016, 2017, 2020 e 2022.
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