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Ataque informático ao Garcia de Orta “coloca em risco” cuidados de saúde, diz sindicato

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) diz que está a acompanhar com preocupação a situação no Hospital Garcia de Orta, em Almada, após o ataque informático no fim de abril, onde os médicos não têm acesso ao sistema informático, colocando em risco os cuidados de saúde aos utentes e a segurança dos profissionais de saúde. SMZS exige resposta “rápida” do ministério”.
16 Maio 2022, 10h09

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) alertou nesta segunda-feira, 16 de maio, que o ataque informático sobre o Hospital Garcia de Orta ”coloca em risco os cuidados de saúde” aos utentes e a segurança dos médicos. O SMZS justifica com uma série de atos que são realizados manualmente, potenciando o erro médico e limitando o acesso a informação “imprescindível” para o atendimento.

“O SMZS vai reunir com os médicos do hospital e exige uma resposta rápida e eficaz por parte do Conselho de Administração, dos SPMS e do Ministério da Saúde”, avança o sindicato, realçando que o Sindicato “acompanha com preocupação” a situação no Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, após o ataque informático no fim de abril, onde os médicos não têm acesso ao sistema informático, colocando em risco os cuidados de saúde aos utentes e a segurança dos profissionais de saúde.

O sindicato explica que “a impossibilidade de acesso à internet impede a realização de diários clínicos, a parametrização de dados clínicos anteriores, da prescrição eletrónica de medicamentos, a obtenção de baixas médicas ou o pedido de exames de diagnóstico”.

Segundo o SMZS, na situação atual, os médicos não conseguem aceder ao processo dos utentes, o que, frisa, “potencia o erro médico”. Além disso, alerta que a visualização de exames apenas é possível manualmente, sem acesso a uma adequada parametrização dos valores de referência e obrigando a deslocações dentro do hospital. “Já houve situações em que a prescrição manual motivou erros”, realça em comunicado.

Simultaneamente, prossegue o SMZS, o registo de primeiras consultas é efetuado manualmente, sem estar prevista ainda a passagem destes dados para o processo clínico digital dos utentes, e os relatórios são enviados através do telemóvel dos médicos, uma vez que nem todos os faxes se encontram operacionais.

O sindicato denuncia que “esta situação tem levado médicos, profissionais de saúde e utentes a um grande sentimento de preocupação, desalento e de insegurança, que se deve à falta de resposta do Conselho de Administração, que se escusa num plano de contingência que simplesmente não dá resposta”.

Para o Sindicato dos Médicos da Zona Sul a resolução desta situação deve ser “uma prioridade absoluta”, sinalizando que apenas está prevista a sua resolução parcial no verão e a resolução total no outono – “daqui a, pelo menos, quatro meses”.

“Num momento em que se têm multiplicado ataques informáticos a várias empresas e organizações, em particular na área da saúde, é urgente que a tutela e os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) intervenham no sentido de aumentar a cibersegurança no Serviço Nacional de Saúde (SNS). A situação é preocupante por mostrar a enorme vulnerabilidade dos sistemas informáticos do SNS”, alerta.

Face à situação que diz ser “caótica”, o SMZS dá conta de que vai reunir com os médicos do Hospital Garcia de Orta e vai continuar a dar resposta, através da intervenção do seu serviço jurídico, no aconselhamento e apoio aos seus associados, que têm contactado o Sindicato. Simultaneamente, o SMZS vai pedir uma reunião urgente com o Conselho de Administração do HGO.


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