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Sociedades ‘ansiosas’, valores ‘millennial’ e economia ‘silver’: supertendências que a Covid-19 vai reforçar

O Credit Suisse atualizou as ‘supertendências’ que acredita representarem oportunidades de negócios. Apesar da Covid-19, cinco ficam e até são reforçadas: as ansiedade sobre as ameaças, o envelhecimento das populações, a necessidade de renovar infraestrutura e a aposta na sustentabilidade. Mas há uma nova: a descarbonização da economia.
Reuters
7 Maio 2020, 08h17

A pandemia da Covid-19 veio prejudicar a economia global e desafiar os sistemas e estruturas existentes, mas vai acabar por reforçar algumas das tendências sociais que oferecem oportunidades de negócio com crescimento veloz e impacto para os investidores, afirmou esta quarta-feira o Credit Suisse.

“O surto da Covid-19 é uma ameaça global sem precedentes que provavelmente resultará em mudanças de longo prazo na maneira como pensamos, trabalhamos e vivemos – com implicações para os investidores”, afirmou o banco suiço por ocasião da atualização anual das Supertrends, a base que utiliza para guiar investimentos temáticos de alta convicção e longo prazo em ações.

“Embora a pandemia de Covid-19 tenha prejudicado a economia global, a última atualização reiterou os principais aspetos das cinco tendências de investimento originais”, sublinhou. “Além disso, foi adicionada uma sexta tendência que aborda as mudanças climáticas”.

Em relação a esta sexta tendência, o Credit Suisse explicou que baseia-se nos argumentos de investimento a favor das empresas que contribuem com mais eficiência para a transição para uma economia mundial em que haja uma menor emissão de carbono.

“O recente lockdown da economia, causado pela pandemia da Covid-19, reduziu substancialmente as emissões de gases com efeito de estufa provocadas pelo homem em diversas regiões – isso mostra claramente o que pode ser alcançado no futuro com a criação de uma economia global mais sustentável e isenta de emissões de carbono”, referiu, adiantando que os setores nos quais se concentra são a produção de eletricidade sem emissões de carbono, o transporte, os pioneiros na transformação dos setores petrolífero e do gás e a agricultura/produção de alimentos.

Segundo o banco suiço, a tendência “Sociedades ansiosas – capitalismo inclusivo” reflete o facto de o descontentamento popular estar agora virado, de uma forma mais evidente, para as questões locais, principalmente a desigualdade, e não para as supostas ameaças externas e para um movimento na direção do protecionismo. “Com um índice recém-criado, o Credit Suisse monitoriza se a ansiedade está a aumentar ou a diminuir. A pandemia da Covid-19 tem demonstrado que as ameaças emergentes reais são globais e exigem uma cooperação multilateral, bem como proteção individual”.

O investimento na silver economy, ou economia da terceira idade, mantém-se na lista, dado que o envelhecimento deverá continuar a impulsionar as oportunidades de negócio e o desempenho dos investimentos por muitos anos, em particular nos mercados emergentes.

Para outra geração, a dos millenials, o Credit Suisse salienta que a sustentabilidade continua a ser um tema-chave
incluindo o consumo responsável. O banco diz que aplica as práticas ambientais, sociais e governativas (ESG) como um critério adicional a toda a seleção de ações. “Com a saúde também no topo das prioridades dos Millenials, existe uma procura crescente por alimentos saudáveis e sustentáveis: a dieta planetária”, explicou o banco.

Os gastos com a infraestrutura continuam à beira de uma fase de expansão, segundo o Credit Suisse, reforçando a supertendência nessa área. “Existem lacunas por todo o lado, à medida que as velhas economias se esforçam para dar resposta às necessidades existentes e novas, e apostam no sentido de uma maior sustentabilidade”, vincou. “Ao mesmo tempo, as novas economias continuam a urbanizar-se a um ritmo acelerado”.

Segundo o banco, a expetativa de manutenção dos juros a um nível baixo, ou mesmo negativo em alguns momentos, por um longo período deve oferecer o incentivo certo para os investimentos.

Finalmente, na supertendência ‘tecnologia ao serviço das pessoas”, a tese é que as contínuas inovações tecnológicas e os desafios expostos pela crise do coronavírus fazem com que o setor tecnológico continue a ser atrativo
para os investidores. “Os fatores determinantes deste tema de investimento – em termos de procura e de progresso tecnológico – continuam sólidos e as empresas das áreas de interesse do tema devem sair beneficiadas nos próximos anos”, concluiu.


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