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Europa observa eleições gerais na Lituânia com os olhos na Bielorrússia

O país, que entrou na União Europeia em 2004, realiza este domingo eleições gerais e está na linha da frente do apoio aos que, na vizinha Bielorrússia, contestam a presidência de Aleksandr Lukashenko. Conservadores podem regressar ao poder.
Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. O governo de Lukashenko tem o apoio declarado de Putin
10 Outubro 2020, 22h04

A Lituânia realiza eleições gerais este domingo, 11 de outubro, depois de uma campanha que tem sido marcada pela Covid-19 – apesar de os países bálticos serem das regiões da europa menos afetadas pela pandemia. Os analistas estão interessados em perceberem se as forças que, no país, têm estado ao lado dos revoltosos na vizinha Bielorrússia ganharão algum apoio interno por via dessa ligação aos que contestam o presidente Aleksandr Lukashenko.

A Lituânia despertou a ira de Aleksandr Lukashenko dar abrigo à líder da oposição bielorrussa Svetlana Tikhanovskaya, que afirma ter ganho as eleições de agosto passado. A Europa está na expectativa de perceber quem ganhará as eleições – em princípio muito disputadas e com a necessidade de formação de coligações que possam governar em maioria – uma vez que os diferentes partidos podem ter diferentes formas de lidar com a Bielorrússia. O centro-esquerda, no poder, tem sido ‘simpático’ para com os dissidentes bielorrussos.

“Os resultados da mais recente sondagem sobre as eleições são um mau presságio para os conservadores”, que poderão ter dificuldade em formar governo, mesmo em coligação, disse Vytautas Dumbliauskas, universitário e analista, citado pelo jornal Baltic News Network.

As sondagens mostram que o os conservadores (na oposição) do Homeland Union-Lithuanian Christian Democrats (HU-LCD), com 15,3% de apoio (tinham 16,1% em julho), ainda estão no topo do ranking dos favoritos, com o mais esquerdista partido União dos Camponeses e Verdes Lituanos (LFGU), do primeiro-ministro Saulius Skvernelis, com 13,7% e os social-democratas (LSDP) com apenas 8,9% (9,8% em julho). O Partido Trabalhista passou para a quarta posição, com 6,1%, e com 4,8%, o novo partido liberal, o Laisvė (Liberdade), carece de 0,2% para atingir o limite eleitoral de 5% para entrar no parlamento lituano, o Seimas. O mesmo sucede com os também liberais do Lietuvos Liberalų Sąjudis, com 4,2%.

O novo partido Laisvės ir teisingumo (Liberdade e Justiça), o Ação Eleitoral de Polacos na Lituânia a Aliança de Famílias Cristãs (EAPL-CFA), o Partido Social Democrata do Trabalho (LSDLP), produto da cisão do Partido Social Democrata da Lituânia há alguns anos, e os nacionalistas do partido de centro da Lituânia estão todos abaixo dos mínimos para entrarem no parlamento.

“O LFGU , no poder, os sociais-democratas e o Partido Trabalhista estão em melhor posição para formar um novo governo. A outra variante, menos provável, seria uma nova coligação formada pela oposição HU-LCD, os partidos liberais e outros”, disse Dumbliauskas ao BNN.

“Para os conservadores com grandes ambições é crucial acabarem  com a ‘seca’ de oito anos como partido da oposição e finalmente conseguir voltar ao poder. Pessoalmente, acredito que o LFGU, como um projeto político magistralmente elaborado por Ramūnas Karbauskis (líder do partido e um empresário milionário), desaparecerá na nova legislatura. Não posso descartar que muitos do partido irão juntar-se aos conservadores”.

A Lituânia vai eleger um novo parlamento de 141 lugares, com 70 deputados eleitos por listas de partidos políticos e outros 71 a serem eleitos em círculos uninominais.

A questão das relações com a Bielorrússia é fundamental no quadro político lituano. O país suspendeu os pagamentos de milhões de euros aos seus vizinhos no âmbito de vários programa transfronteiriços da União Europeia após as eleições de agosto em que Aleksandr Lukashenko saiu mais uma vez vencedor.

O vice-ministro do Interior, Tautvydas Tamulevicius, disse que o estado báltico “suspendeu todos os pagamentos para a Bielorrússia no âmbito de programas conjuntos” e aguardava esclarecimentos da Comissão Europeia. “A decisão foi tomada devido ao risco de que os fundos possam ser mal utilizados”, disse à agência France-Presse (AFP).

Na passada semana, os jornais noticiaram que a Bielorrússia usou fundos da União para comprar drones de vigilância dos manifestantes contrários ao regime, gerando preocupação de que eles pudessem ser usados ​​para ajudar a reprimir os protestos em massa contra Lukashenko.


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