Quem assistiu à Banking Summit – Leading Into a New Era, organizada pela Associação Portuguesa de Bancos e pela SIBS, apercebeu-se de um gap (será geracional?). Os oradores portugueses, lançaram alertas, avisos, preocupações, pediram regras iguais para que os bancos possam competir com as fintech (à excepção de Madalena Tomé da SIBS que diz que “em Portugal, os bancos e a SIBS têm o que é preciso para continuarem na vanguarda desta revolução digital”). Os oradores estrangeiros apresentaram visões aparatosas do brilhante futuro das sociedades com a digitalização da banca.
Os portugueses lançaram mais avisos do que benefícios.
“Não é razoável podermos competir com concorrentes que, muitas vezes, não estão no espaço europeu, que normalmente não dão crédito, que normalmente não têm os mesmos riscos que nós”, disse Nuno Amado, presidente do BCP, mas foi um apelo mais ou menos partilhado por todos os presidentes dos bancos que participaram no painel “A Transformação Digital na Banca Portuguesa: Uma visão de topo” – Paulo Macedo (CGD), Pablo Forero (BPI), António Ramalho (NB), Vieira Monteiro (Santander Totta) e Nuno Amado (BCP).
Até o Governador do Banco de Portugal lançou alertas à digitalização da banca. “Muitos estudos têm apontado a diretiva de serviços pagamento (DSP2) como o maior desafio à banca de retalho desde a invenção das ATM, o chamado multibanco, há cerca de 50 anos, ao colocar em risco entre 25% e 40% do produto líquido bancário “, salientou Carlos Costa. A par de considerar que a digitalização “é uma oportunidade” (todos concordam com isso, mas depois apontam essencialmente os riscos), o Governador diz que a nova arquitetura e os novos modelos de negócio obrigam a uma resposta multidisciplinar dos bancos centrais e reguladores, e exigem novas abordagens, novos recursos e competências. Carlos Costa defendeu que é imperativo que “fique muito claro qual é a área de competência do banco central e do supervisor, quais os produtos que supervisiona e pelos quais responde.
Ao contrário, os oradores internacionais mostraram-se entusiasmados com o admirável mundo novo da era digital.
Thierry Mennesson, Partner da consultora Oliver Wyman, mostrou o futuro dos serviços financeiros, em que com apenas um único cartão se tem acesso a todas as contas e se podem fazer todos os pagamentos, compras e outros serviços.
O destaque da consultora Oliver Wyman vai para o papel que os bancos vão inevitavelmente assumir no futuro. Vão estar no centro da vida dos clientes. Vão ser “Life Coaches” dos clientes. O partner da Oliver Wyman lembra que a entrada em vigor da diretiva de pagamentos DSP2 conduz a uma separação entre distribuição (relacionamento com clientes) e produção (gestão de contas, poupança, crédito, etc). Os clientes vão ser os donos dos seus dados.
O mundo digital está a mudar o modo como vivemos e a maneira de fazer banca. Aí todos concordam.
A par do aprofundamento da globalização, entrámos nesta nova era – a da 4ª Revolução Industrial ou da digitalização -, fortemente disruptiva e veloz nos seus efeitos, disse Faria de Oliveira, presidente da APB.
Sobram depois os discursos políticos do Presidente da República do Ministro das Finanças, entre os recados e as vanglórias.
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