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De aliança a fusão? Nissan e Renault em discussões para criar novo grupo

As duas empresas têm já uma aliança e participações cruzadas. O objetivo é de criar um grupo que possa vender 14 milhões de unidades em 2022, mas os governos em Paris e Tóquio poderão bloquear o negócio.
29 Março 2018, 17h35

A Nissan e a Renault estão a ponderar uma fusão entre as duas empresas de automóveis para criar um novo grupo. A notícia é revelada pela Bloomberg, que menciona que o acordo passaria por encerrar a atual aliança entre as duas marcas, unindo-as numa só corporação.

A Renault possui 43% da Nissan, enquanto a marca japonesa detém apenas 15% da sua congénere francesa. As negociações estão ser conduzidas pelo presidente das duas companhias, Carlos Ghosn, que comandará as duas marcas, caso estas se venham a fundir.

Fontes ligadas ao processo, que preferem manter-se no anonimato, indicam que neste momento as duas companhias discutem a possibilidade da Nissan ceder o total das suas ações aos acionistas da Renault.

No entanto, a fabricante japonesa iria receber uma parte dessas mesmas ações, pelo facto de estar envolvida na fusão. A empresa que resultaria da operação continuaria a ter uma sede em França e outra no Japão.

Governos podem travar negócio

De acordo com as mesmas fontes, o governo francês, que tem uma participação de 15% na Renault, poderá travar a fusão. O Executivo de Emmanuel Macron poderá está reticente em ceder o controlo total dessas ações, ou ficar numa posição mais enfraquecida. Além disso, tanto os dois governos teriam de aprovar a fusão, sendo que têm opiniões diferentes sobre qual das sedes seria a “casa-mãe”.

As conversações já duram há vários meses e ainda não existe qualquer acordo. Nenhuma das partes envolvidas no processo, nem do governo de França, tecem comentários.

Carlos Ghosn, que em 2017 renunciou ao cargo de CEO da Nissan, para se focar neste negócio, prometeu no passado mês de fevereiro, que a Nissan e a Renault iriam delinear um plano para “tornar esta aliança irreversível”.

Caso esta aliança venha a concretizar-se são esperadas as vendas, de 14 milhões de automóveis em 2022, face aos 10,6 milhões vendidos em 2017. Por comparação, o grupo Volkswagen, maior fabricante de automóveis a nível mundial, vendeu no último ano 10,7 milhões de veículos.


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