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Assembleia Geral da EDP discute hoje eleição de António Mexia para um quinto mandato

Apesar do acordo acionista para uma lista com António Mexia à cabeça, a verdade é que a tensão entre o maior acionista e o presidente executivo da EDP não desapareceu. Com a agravante de a China Three Gorges contar com o apoio do Governo neste assunto.
5 Abril 2018, 07h08

A continuidade de António Mexia à frente da EDP foi mantida na lista de órgãos sociais pelos acionistas, e será, se não surgir nenhum requerimento à mesa em sentido contrário, confirmada esta quinta-feira, dia 5 de abril, em Assembleia Geral.

Os principais acionistas da EDP que voltaram a propor António Mexia para presidente da comissão executiva, para o designado quinto mandato à frente da elétrica desde 2006 são os acionistas representados no Conselho Geral e de Supervisão, onde têm assento a China Three Gorges (com 28,25%, se incluirmos a posição da empresa estatal chinesa CNIC que tem 4,98% – a CTG tem diretamente 23,27%), a Oppidum Capital (7,19%), a Senfora BV (Mubadala Investment Company com 4,06%), o Fundo de Pensões do Millenium BCP (2,44%) e a Sonatrach (2,38%).

Mas há mais acionistas qualificados na EDP. A Capital Group que tem 12%; a BlackRock tem 5%; o Qatar Investment Autority 2,27%; o Norges Bank com 2,75%.

A lista de novos órgãos sociais para o mandato que decorrerá até 2020 confirma António Mexia como presidente executivo da EDP e põe Luís Amado como chairman. António Martins da Costa, João Marques da Cruz, Miguel Stilwell de Andrade, Miguel Setas, Rui Lopes Teixeira, Maria Teresa Isabel Pereira e Vera Pinto Pereira completam a lista que passa a contar com uma presença feminina.

Histórico de António Mexia

António Mexia chegou à EDP em 2006 e tem a seu favor o percurso da empresa desde aí.  Em 2007, o Grupo EDP, através da sua subsidiária Energias Renováveis, adquire um dos maiores produtores de energia eólica do mundo, a Horizon Wind Energy (LLC), com aerogeradores em Nova Iorque, Iowa, Pensilvânia, Washington e Oklahoma e com projectos para o Minnesota, Oregon, Texas e Illinois, a Horizon foi adquirida por 2,15 mil milhões de dólares americanos.

No mercado das energias renováveis, a EDP, através da EDP Renováveis, é hoje um dos maiores players eólicos do mundo. Tem, ainda, operações e projectos em Portugal, Espanha, França, Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Bélgica, Polónia, Roménia e Brasil.

Os lucros da EDP cresceram 16% para 1.113 milhões de euros em 2017 face aos 961 milhões registados em 2016.

Apesar do acordo acionista para uma lista com António Mexia à cabeça, a verdade é que a tensão entre o maior acionista e o presidente executivo da EDP não desapareceu. Com a agravante de a China Three Gorges contar com o apoio do Governo neste assunto. É conhecido que o primeiro-ministro não morre de amores por António Mexia, que era mais próximo do ex-primeiro ministro socialista José Sócrates. Ligação aliás que tem saído cara a Mexia. Uma notícia do Público deu conta de que a EDP pagou um bónus de quase 20 milhões às construtoras Lena e Odebrecht (uma investigada na Operação Marquês e outra na investigação de corrupção brasileira conhecida por Lava-Jato) no âmbito da construção da Barragem do Baixo Sabor, que foi um projeto da iniciativa do primeiro-ministro da altura, José Sócrates.

A manutenção de António Mexia à frente da EDP surgiu como um sinal de pacificação numa altura em que contexto público era hostil em relação à presidência da EDP. Em junho do ano passado foi conhecida a investigação judicial aos contratos das centrais elétricas da empresa, que levou à constituição de Mexia e João Manso Neto, também presidente da EDP Renováveis, como arguidos.

Ficará António Mexia até ao fim do mandato? CTG avança para OPA?

Nos corredores comenta-se que António Mexia poderá não cumprir o mandato até ao fim. O Público escreveu que os chineses mantiveram António Mexia para evitar uma guerra entre os acionistas (os fundos norte-americanos, nesta teoria, estariam com Mexia).

O reconhecimento de que podem ter existido práticas irregulares entre a EDP e as construtoras Lena e Odebrecht não ajuda a aliviar tensões entre os chineses e António Mexia. O Observador, por sua vez, escreveu que o Ministério Público investiga pagamentos dos saco azul do BES (ES Entreprises) a António Mexia e a Manuel Pinho.

As fusões e aquisições na Europa entre empresas de energia também são uma peça do tabuleiro do xadrez a ter em conta. A aliança anunciada pelas alemãs Eon e RWE, num negócio de 43 mil milhões despertou no mercado a convicção de que chegou à Europa uma vaga de consolidação no sector energético. Assim feita a consolidação na Alemanha, tanto a italiana Enel, como a francesa Engie terão agora de se direccionar para outras geografias. A EDP pode fazer parte dessa vaga de consolidação. Como é a que China Three Gorges se vai posicionar para conseguir manter-se como maior acionista da EDP, é uma das questões mais prementes da atualidade económica.

A EDP votará hoje também a distribuição de um dividendo de 0,190 euros por ação e, entre outros pontos em agenda, está a política de remuneração do Conselho de Administração da EDP.

António Mexia vai receber 800 mil euros/ano em termos de remuneração fixa. O CFO receberá 560 mil euros; os restantes administradores 480 mil euros/ano. O CEO da EDP Renováveis recebe em termos fixos 560 mil euros/ano.


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