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BdP: Empresas portuguesas estão cada vez menos dependentes da banca

Segundo uma análise do Banco de Portugal, as empresas estão a aumentar o financiamento por empréstimos no exterior. sobretudo junto de empresas do mesmo grupo económico e emissão de títulos de dívida colocados junto de não residentes.
10 Maio 2018, 13h00

Os bancos continuam a ser a principal fonte de financiamento das empresas portuguesas, mas representam uma fatia cada vez menor do total, dado o aumento do financiamento externo e do recurso ao mercado de dívida, de acordo com o Banco de Portugal (BdP).

“De um modo geral, está em curso um processo gradual de desintermediação financeira a nível doméstico, ou seja, as empresas portuguesas encontram-se progressivamente menos dependentes do financiamento junto de bancos portugueses, ainda que esta continue a ser a sua fonte de financiamento primordial”, referiu o banco central esta quinta-feira, numa análise incluída no Boletim Económico de maio.

O BdP salientou que a diminuição do financiamento junto de bancos residentes foi parcialmente compensada por duas vias: financiamento por empréstimos no exterior (sobretudo junto de empresas do mesmo grupo económico no exterior e, em menor escala, junto de bancos estrangeiros) e emissão de títulos de dívida, colocados sobretudo junto de não residentes.

Acrescentou, no entanto, que apenas um conjunto muito reduzido de médias e grandes empresas tem acesso a estas alternativas de financiamento. “Deste modo, os ajustamentos no balanço das empresas no âmbito do processo de desalavancagem em curso assumem diferentes formas, consoante a dimensão e o setor das empresas. As empresas sem acesso a alternativas aos empréstimos bancários em Portugal têm vindo a equilibrar a sua estrutura de financiamento através do reforço dos capitais próprios, em particular por via da acumulação de resultados”.

A substituição de financiamento intermediado por bancos residentes por financiamento direto junto de não residentes tem subjacente um processo gradual de desintermediação financeira a nível, explicou o banco central liderado por Carlos Costa.

“Antes da crise financeira global, os bancos portugueses financiavam-se significativamente no exterior, canalizando os recursos obtidos para a concessão de crédito em Portugal. O financiamento dos bancos no exterior reduziu-se durante este período. Os bancos residentes diminuíram o seu papel no financiamento das empresas portuguesas, que passaram a suprir parte das suas necessidades de financiamento diretamente junto de não residentes, o que se consubstancia no referido processo de desintermediação financeira a nível doméstico”.

No caso do financiamento junto de empresas do mesmo grupo económico, uma parte pode refletir o financiamento obtido por essas empresas do grupo no exterior por via de títulos ou de empréstimos de bancos não residentes, sendo o financiamento obtido por essa via canalizado posteriormente para as empresas portuguesas através de empréstimos intra-grupo.

Os títulos de dívida têm vindo a representar, em termos relativos, uma parte cada vez mais importante do financiamento das empresas. No final de 2017 representava 19% do financiamento das empresas, face a 15% em 2007, segundo os dados do banco central.

O BdP recordou que nos últimos anos têm surgido várias iniciativas nacionais e internacionais para estimular o acesso ao mercado de dívida, destacando a Diretiva de Mercados de Capitais, o programa de compra de ativos do BCE (CSPP), o Programa Capitalizar e o Euronext Access.

“Contudo, apesar de o financiamento através do mercado de dívida se ter tornado proporcionalmente mais relevante na última década em Portugal, num contexto de forte contração dos empréstimos bancários, o acesso a estes mercados continua a estar disponível apenas para um conjunto muito limitado de empresas”, explicou.

O crescimento agregado desta fonte de financiamento reflete apenas um aumento do valor das emissões de um conjunto de empresas, que se manteve relativamente inalterado nos últimos anos, adiantou. No final de 2017, existiam mais de 600 emitentes com títulos de dívida, concluiu o BdP.


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