O neurocientista António Damásio considera que se deve olhar para os aspetos positivos e negativos da inteligência artificial (IA). Em declarações exclusivas ao Jornal Económico, à margem da conferência “Combater os medos”, organizada pela comissão de antigos alunos do Liceu Francês, realizada esta segunda-feira, Damásio disse que “não há nem pessimismo nem otimismo. Há realismo”.
Sobre os desafios e as ameaças da IA, António Damásio enumerou: “O uso dos dados, a invasão da privacidade ou o perigo da manipulação pública”. O neurocientista dá o exemplo do Facebook e da Cambridge Analytica como “uma manipulação que pode existir em qualquer parte”.
“O risco principal é o perigo das pessoas não compreenderem que a IA é de facto artificial e muito diferente daquilo que é a inteligência humana. A inteligência humana é um derivado da biológica”, diz o neurocientista.
Para Damásio, os medos são um bom exemplo de uma reação normal que vem do desenvolvimento biológico. “Uma forma de defesa, que todos os organismos a partir de um certo nível de complexidade têm. Respondem de forma a defender a integridade do seu corpo e a integridade da sua vida”.
Em relação aos medos que existem na Europa, destaca a imigração, a perda de autonomia, ou de direito e privilégios que uma determinada população tem.
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