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PIB dos EUA poderá sofrer rombo de 2,5% com guerra comercial, admite Banco de Inglaterra

O governador do Banco da Inglaterra, Mark Carney, apresentou números: o PIB norte-americano descerá 2,5% num cenário de novas tarifas, enquanto o seu impacto na União Europeia e no Reino Unido será de menos de 1%.
Frank Augstein/Reuters
5 Julho 2018, 16h10

O governador do Banco da Inglaterra, Mark Carney, diz, citado pela agência EFE, que se as disputas comerciais entre os Estados Unidos e outras potências globais piorarem, a economia norte-americana será a mais afetada de todas as que estão envolvidas.

Num discurso em Newcastle (Inglaterra), Carney afirmou que o PIB dos Estados Unidos sofreria um rombo da ordem dos 2,5% em caso de um aumento das tarifas em 10 pontos percentuais e relativamente a todos os seus parceiros comerciais.

Nesse cenário, a economia global perderia 1%, enquanto na União Europeia (UE) e no Reino Unido o impacto seria ainda menor. O governador do banco emissor referiu ainda que, “até agora, o protecionismo é basicamente apenas conversa e tweets”, embora tenha alertado para que a “retórica” ​​pode vir a tornar-se “realidade”.

Carney garantiu que a economia global está a passar por uma fase de “resistência” e crescimento, embora tenha referido que o cenário positivo seria seriamente ameaçado se “todos impuserem tarifas contra todos os outros”.

“Há uma possibilidade crescente de que a incerteza nas questões comerciais cristalize os riscos de uma queda nas taxas de juros de longo prazo, um aumento da aversão ao risco e um aperto geral nas condições financeiras globais”, disse.

Recorde-se que, pelo menos em teoria, esta sexta-feira será o dia em que os Estados Unidos colocam em vigor novas taxas aduaneiras sobre 818 categorias de produtos oriundos da China, num esforço que será aumentado a curto prazo por um novo pacote de mais 284 categorias. No total, e só com estes dois conjuntos de produtos, os Estados Unidos querem recuperar cerca de 50 mil milhões de dólares do défice comercial com o Império do Meio.

Trump e o seu gabinete foram sempre adeptos das novas taxas aduaneiras – que são uma promessa eleitoral – apesar de diversos responsáveis norte-americanos, entre eles vários empresários, terem alertado para as claras dificuldades que daí resultarão para a economia norte-americana.

Até porque, recorde-se, as economias afetadas pelas novas taxas – nomeadamente a China e o conjunto da União Europeia – prometem retaliar da mesma forma (taxando as exportações norte-americanas), apesar de Trump ter acenado com a estabelecimento de acordos bilaterais com vários países.


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