O BCE voltou a subir os juros, pela segunda vez este ano para os 2,5%. Apesar de não se comprometer com subidas futuras, os cidadãos devem saber que o mercado prevê que os juros possam estabilizar nos 3,25% até junho do próximo ano.
Esta é uma informação importante porque há que prever na elaboração do orçamento anual das famílias um aumento dos custos com crédito à habitação, bem como um amento geral do custo de vida. É esperado que a inflação continue a subir, tendo em conta que os conflitos que na Europa e no Médio Oriente, continuem a influenciar o preço da energia. O grande dilema dos bancos centrais está na duração dos conflitos e deste choque nos produtos petrolíferos, uma vez que quanto mais tempo se mantiver maior a probabilidade da transmissão para outros sectores da economia.
Estamos a entrar na fase da negociação de aumentos salariais, e muito embora o BCE tente ancorar as expectativas do aumento de custos nos 2,7%, será difícil com uma inflação nos 3,3% e com tendência de subida que a tensão social não aumente.
Ao mesmo tempo consumidores e empresas enfrentam um perigo maior, o inverno. O preço do gás na europa já subiu 170% desde o início do conflito no Médio Oriente passando de 30 euros /MWH para 82 euros com perspetiva de passar os 100 euros e poder chegar aos 150 euros num cenário de inverno rigoroso. Ou seja, no pior dos cenários o preço do gás pode quintuplicar. As consequências nas empresas são incalculáveis, e sem pensar nas famílias europeias mais desprotegidas. O problema não será a falta de gás, mas sim a que preço.
Outro perigo emerge para as poupanças. A remuneração dos depósitos ou até dos certificados de aforro não acompanha a subida da inflação o que dita a perda de poder de compra de 80% do nosso PIB que está nestes produtos. Ao não serem rentabilizados devidamente, a produtividade do capital diminui, não contribuindo para a maior capacidade de investimento que o país precisa.
É um cenário desafiante que obriga os investidores e aforradores a tomarem mais risco, os gestores a planearem bem o próximo ano, e os consumidores a iniciaram planos de poupança, com consequência no consumo.
Ao contrário do que os deputados continuam a apregoar, a única forma de sobrevivermos a esta onda de incerteza é investir nos mercados de capitais. A Presidente do BCE reiterou novamente a necessidade de integração dos mercados europeus e que por os europeus a investirem nas empresas e não deixarem o dinheiro parado nos bancos. É imperativo aumentar o nível de literacia financeira da sociedade, perder medo ao investimento, e perceber que com horizonte temporal longo e diversificação, é possível vencer a inflação e financiar a economia.
Mas enquanto tivermos deputados a defender que investir é um casino, ou roubo às poupanças, torna-se complicado. Talvez merecessem uma visita ao BCE e umas boas sessões de formação, para poderem servir melhor a sociedade.



