Diziam-nos que ninguém era rico demais para não ser punido, nem pobre demais para não ser protegido, palavras bonitas, civilizadas, quase bíblicas. Mentira! Na prática, quem tem dinheiro compra silêncio, acesso, influência e, muitas vezes, até compra aparência da inocência.

Diziam-nos que ética e integridade eram ingredientes essenciais da boa governação, bonito, mas mentira! Na prática, a ética tornou-se numa decoração institucional nos discursos, nos relatórios, nos painéis internacionais, nas fotografias oficiais, mas por baixo da mesa continuam os pagamentos invisíveis, o nepotismo elegante, os favores bem vestidos.

Diziam-nos que devíamos aprender com o Norte Global, com os seus princípios, os seus valores, a sua eficiência económica, as suas instituições, mas talvez também aí nos tenham contado apenas metade da história. Nas Áfricas, onde a inovação tecnológica ainda chega tarde, continuam a existir práticas de colectividade e partilha que talvez tenham muito a ensinar ao mundo que se considera desenvolvido.

Diziam-nos que o direito internacional, as regras e os procedimentos eram a forma correcta de fazer negócios, garantir a paz e proteger os povos. Outra mentira! Hoje, talvez mais do que nunca, impera a lei do ‘eu mando, eu posso’, porque o poder é para ser exercício, facto que nunca foi tão evidente como agora, em que quem tem o poder, escreve a moral do momento.

E são com estas evidências que estamos a influenciar as futuras gerações com esses novos valores de construção da nova ordem do caos.

É neste cenário que as Áfricas aparecem novamente diante do mundo como uma massa gigante de terra e dentro dela tantas riquezas e, que vistas lá do espaço pela Artemis II, transborda alegria da juventude e a esperança mencionada pelo papa Leão XIV na sua viagem pelas Áfricas em abril.

E de acordo com as previsões para as Áfricas, espera-se que o crescimento económico se situe em torno de 4,3% em 2026, consolidando a recuperação após um forte desempenho em 2025. Isso não é uma mentira, é a verdade que não se conta ou se omite para não deixar ver o sucesso da refinaria de Dangote, na Nigéria, ou a CowTribe no Gana focada no sector agrícola.

Como recado daqui das Áfricas, não podemos deixar mentiras para as próximas gerações apesar desta nova ordem do caos.