Brexit: Economia britânica com desempenho mais fraco em seis meses

A economia do Reino Unido cresceu 0.3% nos três meses até novembro. Esta é a taxa de crescimento mais fraca em seis meses. Produção automóvel e farmaceutica foram os setores mais afetados.

Luke MacGregor/Reuters

A economia do Reino Unido desacelerou nos três meses até novembro de 2018, registando o nível de crescimento mais fraco em seis meses. O setor mais afetado foi da produção face às duras condições de comércio global, revelam dados oficiais do Instituto Nacional de Estatísticas Britânico (ONS, sigla em inglês), divulgados esta sexta-feira.

O Produto Interno Bruto (PIB) do mesmo período cresceu 0,3% , ficando abaixo do crescimento de 0,4% no trimestre anterior. Ou seja, o crescimento da economia do Reino Unido continuou a desacelerar, depois de ter apresentado um desempenho mais forte em meados de 2018, o que reflete a crescente incerteza relativamente à saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Somente em novembro, a produção industrial britânica caiu 1,5% em 2018 – a maior queda desde agosto de 2013.

Os números mostram que, mais uma vez, o crescimento do trimestre até novembro dependeu do setor de serviços, que corresponde em cerca de 80% da economia de britânica. A produção na construção aumentou, mas a produção caiu. Este setor sofreu um declínio acentuado, com a produção de automóveis e farmacêutica a cair devido a uma fraca procura externa.

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Os consumidores, em particular, foram pressionados pelo aumento da inflação que se seguiu pela queda da libra após o referendo, especialmente porque os salários não conseguiram acompanhar.

Pablo Shah, economista do Centro de Economia e Pesquisa de Negócios (CEBR, sigla em inglês), acredita que o crescimento do Reino Unido deverá permanecer fraco nos próximos meses, explicando que ”os números de hoje mostram que a economia do Reino Unido entrou agora no que, provavelmente, será um período prolongado de crescimento fraco”. “A CEBR prevê que a economia do Reino Unido irá expandir em 1,1% em 2019, o que se traduz no ano mais fraco desde a recessão de 2009, uma vez que a incerteza económica continua a prejudicar o sentimento entre empresas e famílias”, cita o ”The Guardian”.

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Dois dos maiores investidores da campanha do Brexit acreditam que o projeto que defendem será eventualmente abandonado pelo governo britânico e que o Reino Unido permanecerá no bloco europeu. A notícia é avançada pela ”Reuters”, que escreve também que o pessimismo de Peter Hargreaves e Crispin Odey vem depois do impasse no Parlamento britânico sobre o acordo que a primeira-ministra Theresa May fez com a UE, e que lançou uma incerteza significativa sobre a concretização do Brexit.

 

O parlamento britânico é amplamente pró-europeu, dado que mais de metade dos deputados votaram pela permanência na UE no referendo de 2016.

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