Cabo Verde admite recessão de 8% em 2020 devido à pandemia da Covid-19

O vice-primeiro-ministro cabo-verdiano, Olavo Correia, admitiu hoje uma recessão económica em Cabo Verde de 8% este ano, devido à crise económica provocada pela pandemia de covid-19.

“Facto é que estamos a falar de uma recessão económica que pode atingir os 8%. O Governo de Cabo Verde estava a contar com um crescimento económico para este ano à volta dos 6%. É efetivamente uma alteração radical do quadro nacional”, afirmou o governante, que é também ministro das Finanças, numa mensagem divulgada esta tarde.

A confirmar-se esta previsão, será uma recessão histórica nos 45 anos de independência de Cabo Verde.

O Governo cabo-verdiano prevê entregar ainda este mês na Assembleia Nacional um novo Orçamento de Estado para 2020, devido à crise económica, desde logo pela quebra no turismo, que garante cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) anual do arquipélago, que em 2019 recebeu 819.000 turistas.

Olavo Correia acrescentou que está a ser “montada” uma “engenharia” para “garantir o funcionamento do Estado” e que “este quadro de desequilíbrios”, com “mais despesas para garantir a normalidade”, agravado por “uma drástica diminuição dos impostos por cobrar e a cobrar”, resultará “obrigatoriamente” no aumento da dívida pública do país.

“E o exercício vai mais ou menos neste sentido: a paragem da atividade económica faz com que haja menos IVA; muitas das empresas estão paradas, pelo que não pagarão impostos – daí que a capacidade de cobrança da máquina fiscal é obviamente muito menor. A única solução que temos pela frente é o aumento do endividamento, sob pena de haver um colapso do Estado”, descreveu Olavo Correia.

Explicou que, entre outros, a revisão das contas de 2020 implica o “aumento das despesas com a saúde”, a “garantia de rendimentos para aqueles que realmente precisam” ou uma “intervenção financeira do Estado para apoiar as empresas com garantias e liquidez de modo a terem capacidade financeira para ultrapassar esta fase”.

Segundo dados revelados anteriormente pelo Instituto Nacional de Estatística, o PIB cabo-verdiano – toda a riqueza produzida pelo país – cresceu 6,1% em 2019, face ao ano anterior, ao passar de 184.661 milhões de escudos (1.670 milhões de euros) para 195.929 milhões de escudos (1.772 milhões de euros).

O Governo estima no Orçamento ainda em vigor um PIB de 211.095 milhões de escudos (1.904 milhões de euros).

O vice-primeiro-ministro admitiu em abril um cenário de défice orçamental, devido à pandemia, que dispara este ano de 2 para 10% do PIB, com a correspondente “explosão” da dívida pública e uma recessão económica, na previsão de então, de 4 a 5% do PIB, contra o crescimento anual acima de 5% que se registava até agora.

O quadro, reconheceu na ocasião, era composto ainda, “no melhor cenário”, pela duplicação do desemprego, cuja taxa poderá chegar aos 20% e a quebra de 18 mil milhões de escudos (163 milhões de euros) em receitas públicas.

Cabo Verde tem um acumulado de 616 casos de covid-19, dos quais cinco resultaram em óbito e 294 foram, entretanto, dados como recuperados.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 411 mil mortos e infetou mais de 7,2 milhões de pessoas em 196 países africanos e territórios, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou a ser o que tem mais casos confirmados, embora com menos mortes.

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Apesar deste resultado, a instituição não vai distribuir dividendos aos acionistas, desde logo cumprindo uma determinação do banco central cabo-verdiano, para constituição de reservas devido à crise economia e financeira provocada pela pandemia.

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A proposta de Orçamento Retificativo do país para 2020, que deverá ser submetido a apreciação e votação no parlamento na segunda semana de julho, ascende a 75.084.978.510 escudos (679,1 milhões de euros), entre despesas e receitas.

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“Embaixadores, representantes das organizações internacionais, Banco Mundial, FMI, União Europeia, Estados bilaterais, todos demonstraram uma grande boa vontade em continuar a apoiar e acompanhar Cabo Verde neste momento”, diz o ministro cabo-verdiano dos Negócios Estrangeiros.
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