Foi apresentado, recentemente, o livro “O Relatório Michael Porter de 1994 Revisitado”, de leitura obrigatória por todos os que se preocupam com a competitividade da economia portuguesa, condição indispensável para a criação de valor e aumento da riqueza nacional.
Esta obra, cumpre, desde logo, um objectivo essencial, que é o de nos obrigar a reflectir sobre o tempo perdido e as más, ou deficientes, políticas económicas, adoptadas nos últimos trinta anos, ou seja, após os governos do Professor Aníbal Cavaco Silva.
Para além do Projecto Porter, que acompanhei desde o início, e que mobilizou centenas de empresários e gestores dos vários clusters estudados, para os quais foram definidas propostas concretas de melhoria, ocorreram, no mesmo período, o desenvolvimento do PEDIP, que modernizou grande parte da indústria portuguesa e o grande projecto industrial estruturante da Autoeuropa, que é, ainda hoje, o projecto industrial mais impactante da economia portuguesa.
Todos estes projectos foram liderados pelo meu colega e amigo, Engº. Luis Mira Amaral, o último ministro da indústria do país, ou seja, o último ministro com conhecimento e sensibilidade para a importância da indústria numa economia moderna competitiva.
Os vários ministros da economia que lhe sucederam, não tinham, nem o conhecimento, nem a sensibilidade para a importância deste sector económico, o que justifica a redução sistemática da sua comparticipação para o PIB nacional.
Mas a destruição do sector industrial não se mede exclusivamente por este indicador, o desaparecimento de empresas emblemáticas de dimensão europeia e a constante redução da dimensão das nossas empresas industriais, conduziram-nos à actual situação de pobreza e índices de crescimento medíocres.
O crescimento suportado, maioritariamente, no turismo, serviços de baixo valor acrescentado e consumo interno, está a atirar o país para uma estrutura económica típica dos países subdesenvolvidos, afastando-nos, cada vez mais, da média europeia e dos países que aderiram à União Europeia, num prazo mais recente.
O país só sairá deste pântano, com um sobressalto cívico, social e económico.
Se este livro contribuir para esse sobressalto, devemos condecorar os autores, como heróis nacionais.



