[weglot_switcher]

EUA: Powell garante que luta contra inflação não acabou apesar da subida de apenas 25 pontos

Cortes de juros não estão em cima da mesa apesar da mudança de linguagem no comunicado da Fed, garante Jerome Powell. A possibilidade de uma pausa nas subidas foi levantada, revelou, mas os dados fortes relativos aos preços e ao mercado laboral levaram a autoridade monetária a manter o rumo e voltar a subir os juros.
22 Março 2023, 19h37

Cortes de juros nos EUA estão fora do cenário base dos decisores monetários do país, fez saber o presidente da Reserva Federal, isto apesar de o documento relativo à decisão de março não prever mais subidas nas próximas reuniões, dada a turbulência nos mercados. Jerome Powell garantiu novamente que os depositantes nos bancos americanos devem estar tranquilos e teve palavras duras para a gestão das instituições que abriram falência nas últimas semanas.

Depois da subida de 25 pontos base (p.b.) esta terça-feira, Jerome Powell procurou reforçar o compromisso da Reserva Federal com a descida da inflação, garantindo que continuará a monitorizar a subida de preços e a procurar “uma política suficientemente restritiva” para trazer o indicador de volta aos 2%.

O caminho até lá ainda é longo, afirmou, mas pode passar por vários veículos: caso os problemas na banca levem a uma degradação das condições financeiras, o efeito desejado é atingido sem ação da política monetária. “Não interessa se é pelas taxas de juro”, resumiu Powell.

Ainda assim, o presidente da Fed revelou que “os membros [do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC)] não veem cortes de taxas este ano”, mesmo depois dos problemas na banca. Powell reconheceu que as falências do Silicon Valley Bank e do Signature Bank levaram os decisores monetários a equacionarem uma pausa no ciclo de aperto monetário, mas acabaram por manter o rumo à luz dos dados fortes recentes da inflação e mercado laboral.

“É importante que mantenhamos essa confiança nas nossas ações e nas nossas palavras”, prosseguiu.

Outro sinal de confiança foi dirigido aos depositantes norte-americanos, cujas preocupações com a robustez do sistema financeiro dispararam com as falências recentes. Powell reforçou que todos os depositantes “devem assumir que os seus depósitos estão seguros”, completando que os fluxos no sistema voltaram a níveis normais.

As falências dos bancos regionais requerem, no entanto, uma investigação aprofundada, com o presidente da Fed a apoiar um inquérito independente. Powell criticou ainda a gestão destes bancos, considerando que “falharam na proteção aos riscos significativos de liquidez e de taxa de juro”.

“A velocidade da corrida aos depósitos foi de um de um nível que nunca tínhamos visto antes, o que sugere que talvez tenha de haver alterações regulatórias”, acrescentou.

RELACIONADO

Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.