Cortes de juros nos EUA estão fora do cenário base dos decisores monetários do país, fez saber o presidente da Reserva Federal, isto apesar de o documento relativo à decisão de março não prever mais subidas nas próximas reuniões, dada a turbulência nos mercados. Jerome Powell garantiu novamente que os depositantes nos bancos americanos devem estar tranquilos e teve palavras duras para a gestão das instituições que abriram falência nas últimas semanas.
Depois da subida de 25 pontos base (p.b.) esta terça-feira, Jerome Powell procurou reforçar o compromisso da Reserva Federal com a descida da inflação, garantindo que continuará a monitorizar a subida de preços e a procurar “uma política suficientemente restritiva” para trazer o indicador de volta aos 2%.
O caminho até lá ainda é longo, afirmou, mas pode passar por vários veículos: caso os problemas na banca levem a uma degradação das condições financeiras, o efeito desejado é atingido sem ação da política monetária. “Não interessa se é pelas taxas de juro”, resumiu Powell.
Ainda assim, o presidente da Fed revelou que “os membros [do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC)] não veem cortes de taxas este ano”, mesmo depois dos problemas na banca. Powell reconheceu que as falências do Silicon Valley Bank e do Signature Bank levaram os decisores monetários a equacionarem uma pausa no ciclo de aperto monetário, mas acabaram por manter o rumo à luz dos dados fortes recentes da inflação e mercado laboral.
“É importante que mantenhamos essa confiança nas nossas ações e nas nossas palavras”, prosseguiu.
Outro sinal de confiança foi dirigido aos depositantes norte-americanos, cujas preocupações com a robustez do sistema financeiro dispararam com as falências recentes. Powell reforçou que todos os depositantes “devem assumir que os seus depósitos estão seguros”, completando que os fluxos no sistema voltaram a níveis normais.
As falências dos bancos regionais requerem, no entanto, uma investigação aprofundada, com o presidente da Fed a apoiar um inquérito independente. Powell criticou ainda a gestão destes bancos, considerando que “falharam na proteção aos riscos significativos de liquidez e de taxa de juro”.
“A velocidade da corrida aos depósitos foi de um de um nível que nunca tínhamos visto antes, o que sugere que talvez tenha de haver alterações regulatórias”, acrescentou.
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