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Temperaturas vão (finalmente) aumentar. Mas cuidado com os raios UV

Uma exposição prolongada ao sol, especialmente nas horas em que os UV têm maior intensidade, pode ter efeitos perigosos para a saúde. Saiba como se proteger.
30 Julho 2018, 15h54

Parece que o sol chegou para ficar. Segundo um estudo realizado no Reino Unido, cerca 30% da população britânica desconhece que a exposição solar pode ter efeitos nocivos nos olhos. Mais surpreendente foi a elevada percentagem (78%) daqueles que não se mostraram preocupados com os efeitos dos raios ultravioleta (UV) no tecido ocular. O Jornal Económico falou com Monteiro Grillo, o presidente da sociedade portuguesa de oftalmologia (SPO). De facto, uma exposição prolongada ao sol, especialmente nas horas em que os UV têm maior intensidade, pode ter efeitos perigosos para os nossos olhos.

Desde logo, o presidente da SPO adverte que uma exposição prolongada aos raios UV pode ter efeitos nocivos nos os olhos  mas que só se revelam muito mais tarde. Neste caso, o exemplo paradigmático é o surgimento das cataratas já em fase mais avançada da vida.

No entanto, explica, que há que ter em conta as condições de vida de cada um, histórico familiar e a propensão de cada um para este tipo de lesões.

Em Portugal, esclarece, a lesão mais frequente consiste no pterígio, muito comum entre os mais novos e os surfistas portugueses. Uma prolongada exposição solar pode ter um efeito cumulativo no desenvolvimento do pterígio, que consiste no espessamento do tecido da conjuntiva – o tecido que cobre a parta branca do olho – e que causa algum desconforto, uma vez que a córnea perde a sua transparência.

Além disso, muito tempo ao sol pode provocar fotoqueratite, uma queimadura na córnea provocada por raios UV de alta intensidade. São muito frequentes na montanha, a altas altitudes, mas isso não quer dizer que ao nível do mar (nas praias) isso não possa acontecer.

Os casos mais graves são os tumores oncólogicos que surgem nas pálpebras. Entre estes, o mais comum é o melanoma, com especial incidência entre os 40 e os 50 anos de idade. O tumor é apenas detectável com um exame oftalmológico que, regra geral, só é feito quando o paciente tem fortes queixas. O tratamento, além de ser muito difícil e, se o tumor incidir sobre a zona central do glóbulo ocular, pode resultar na perda de visão do paciente.

Proteja-se facilmente

Apesar de tudo, Monteiro Grillo deixa dicas simples e eficazes que permitem proteger-nos dos perigos dos UV. Em primeiro lugar, é de evitar a exposição ao sol durante as horas de alta intensidade dos UV, que geralmente ocorre entre o meio-dia e as quatro da tarde. Pode ainda usar chapéus de sol com abas, uma protecção muito eficaz, não só para os olhos como também para pele. Finalmente, utilize óculos com protecção aos UV – quando comprar óculos, certifique-se que eles têm uma etiqueta informativa com a indicação de protecção aos UV.

De acordo com o Instituto do Mar e da Atmosfera, os próximos dias serão de calor intenso com as temperaturas a chegarem aos 44 graus na quinta-feira em algumas localidades do país. Todos sabemos que uma longa exposição solar acarreta perigos para a pele, mas poucos sequer pensamos que os olhos também podem ser afectados. Proteja-se, é fácil.


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