Depois de umas eleições disputadíssimas, onde votaram cerca de 125 milhões de brasileiros, o atual momento que se vive é perigoso demais para o país, mas não só. É também perigoso para o mundo.
Num só mês, em outubro, o povo brasileiro foi duas vezes a votos, numas eleições presidenciais que apenas contemplavam duas opções – Lula da Silva e Jair Bolsonaro – numa disputa em que não estava em causa decidir qual o melhor candidato, mas sim qual o menos odiado pela população.
Bolsonaro era o atual Presidente, cujo primeiro mandato esteve carregado de polémicas, após três décadas como deputado federal, durante as quais nunca deu muito nas vistas. Poucos brasileiros o conheciam. Lula, ex-sindicalista, ex-Presidente durante oito anos e ex-presidiário indiciado por correpção, não carecia de apresentação. Resulta agora, que desta disputa, Lula é novamente o vencedor das eleições, com 50,9% dos votos expressos e 48,6% dos votantes, com mais de 60 milhões de votos.
O que aconteceu na maior democracia da América, é que um dos dois se tornou novamente Presidente do Brasil, num país que ficou literalmente partido ao meio, porque ambos não são causa nem princípio. Um deles foi apenas por consequência.
Lula da Silva, com quase 77 anos de idade e dois mandatos de Presidente, é de novo Presidente depois ter estado preso mais de um ano (que o impediu de um novo mandato em 2018). Foi indiciado e acusado, mais tarde ilibado pela corrupção que assaltou o país.
Bolsonaro, quase sem saber como nem porquê, conseguiu encarnar a reação epidérmica de uma enorme fatia do eleitorado brasileiro, que está desiludido e cansado de muitas promessas não cumpridas, da corrupção galopante, da violência e da insegurança que se vive nas ruas e de algumas ideologias fraturantes que o PT de Lula e de Dilma lhes quiseram impor, angariando assim 58 milhões de votos, um número recorde para um candidato que não venceu a eleição.
E agora, Brasil? Com esta eleição, o maior país lusófono viveu um verdadeiro filme de terror, com a radicalização do eleitorado em dois blocos, de um lado a esquerda que tinha antes perdido as eleições pela corrupção, do outro uma direita alucinada e populista que conquistou o poder vigente, mas não convenceu.
Na verdade, o que o povo brasileiro procurava nesta disputa era uma alternativa de ideologia, moderada, defensora dos direitos fundamentais, da liberdade económica, da segurança pública, sem ódios nem populismos ou corrupção. A última dúzia de anos teve estes protagonistas, e os próximos quatro, com Lula como Presidente, também os terá. As lições fatais destes anos passados devem ser levadas bem a sério, pois minaram a democracia e fizeram-na cair em descrédito.
Resta esperar que o derrotado aceite o veredicto popular destas eleições de participação obrigatória. É que depois desta encruzilhada que dividiu os brasileiros, o país precisa de preparar o amanhã com paz, mais cedo do que muitos pensam, construindo uma alternativa democrática, credível, coerente e responsável para o seu futuro. Deus ajudará o Brasil, estou certo…



