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Líder supremo do Irão apoia aproximação ao Egipto e Arábia Saudita

A reaproximação entre os três países enquadra-se no recente impulso do regime de Teerão para, respaldado pela China, encontrar um novo posicionamento regional. Evitar o colapso económico e combater o isolamento internacional são os dois focos.
Ayatollah Ali Khamenei Irão
Morteza Nikoubazl / Reuters
30 Maio 2023, 18h30

O líder supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei, saudou uma possível reabertura dos laços diplomáticos com o Egito e a reaproximação em curso com a Arábia Saudita – dando mostras de que o grupo restrito que lidera o regime e o governo liderado por Ebrahim Raisi estão alinhados na nova lógica diplomática do regime de Teerão.

Os laços com o Egipto desapareceram há quase quatro décadas – após a República Islâmica de 1979, mas uma recente mediação de Omã, inspirada pela China, segundo os analistas ocidentais, cujo líder está esta semana em visita a Teerão depois de ter passado no Egito na semana passada, pode levar à normalização das relações entre as duas capitais.

“Não temos nenhum problema a esse respeito”, disse Khamenei depois de uma reunião em Teerão com o líder omani, Sultan Haitham bin Tariq Al Said – que deu nota da disposição do Cairo para retomar os laços com a república islâmica.

Segundo a imprensa iraniana, na última década, Omã esteve envolvido na resolução de questões de longa data entre o Irão e seus rivais ou inimigos. O sultanato atuou como mediadora entre Teerão e Washington em 2013, lançando as bases para uma maratona de negociações que culminou com o Acordo Nuclear de 2015.

Ainda nesta semana, Omã também ajudou a Bélgica e o Irão a implementar um acordo de troca de prisioneiros que garantiu a libertação de um diplomata iraniano que cumpria uma pena de prisão de 20 anos em Bruxelas sob acusações de terrorismo, em troca de um trabalhador humanitário belga condenado pelo Irão a 40 anos de prisão por espionagem.

O sultão de Omã, segundo as mesmas fontes, também se mostrou satisfeito com o início da normalização das relações diplomáticas entre o regime iraniano e a Arábia Saudita – algo bastante mais difícil de conseguir e que teve também o contributo da China. Khamenei atribuiu o crédito do acordo a Raisi.

A reaproximação entre o Irão (pátria do islão xiita) e vários países árabes (sunitas) tem sido descrita como fundamental para a pacificação sustentada do Médio Oriente e um dos caminhos para o desenvolvimento regional. E dá-se numa altura crítica para o Irão, quer internamente (desde a morte de Mahsa Amini em setembro de 2022), quer externamente (com o Acordo Nuclear a não ser fechado, mas também com as fortes críticas lançadas pelo Ocidente por causa do envolvimento do país na entrega de drones para a Rússia usar na Ucrânia.

Com ativos financeiros vitais congelados no exterior devido às sanções (impostas unilateralmente pelos Estados Unidos) e o negócio do petróleo muito aquém do orçamentado, a república islâmica precisa urgentemente de encontrar uma nova posição geoestratégica, sob pena de o regime desaparecer. Os media não fazem qualquer menção a que o tema do Acordo Nuclear tenha sido conversado entre os dois líderes – mas não é crível que não tenha acontecido.


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