Scott Morrison foi esta sexta-feira eleito líder do Partido Liberal australiano e consequentemente vai assumir funções como primeiro-ministro, derrubando Malcolm Turnbull, que ocupava o cargo desde setembro de 2015, mas que nos últimos tempos tinha sido fortemente contestado no interior do seu próprio partido.
Morrison, que até aqui era ministro das Finanças e um dos vários membros do executivo de Camberra que contestava a liderança de Turnbull, será o quinto primeiro-ministro australiano em apenas onze anos, o que atesta a instabilidade que tem mergulhado o país num no caos político desde 2007, tanto no campo liberal como no trabalhista, seu opositor.
Uma porta-voz do Partido Liberal informou, citado por vários jornais, que o atual ministro do Ambiente e Energia, Josh Frydenberg, foi eleito número dois, com ampla maioria. A decisão foi tomada pela liderança parlamentar do Partido Liberal depois de uma semana de tensão interna, em tudo semelhante àquela que havia levado Turnbull à liderança (do partido e do governo) em 2015.
A sucessão de golpes internos no Partido Liberal é uma das críticas mais veementes que os seus opositores fazem à formação de centro-direita. O problema é que o centro-esquerda trabalhista padece exatamente do mesmo mal: Kevin Rudd venceu as eleições de 2007, mas foi internamente desafiado e acabou por perder a liderança para Julia Gillard, que em 2010 assumiu o cargo de primeira-ministra. Gillard também não chegou ao fim do mandato: foi novamente desafiadas por Rudd, que voltou ao cargo durante três meses, perdendo as eleições de 2013.
Numa primeira votação apresentaram-se três candidatos: o ex-ministro do Interior Peter Dutton – que tem um apoiante de peso: o até agora ministro das Finanças Mathias Cormann; a ministra dos Negócios Estrangeiros Julie Bishop, também vice-presidente dos liberais; e Scott Morrison, tesoureiro do partido. Bishop foi a menos votada. Na segunda volta da votação, Morrison obteve 45 votos e Dutton 40 – mais uma derrota para o ex-ministro, que pela segunda vez não consegue chegar ao topo do partido.
Segundo a imprensa australiana, Turnbull, que recusou voltar a concorrer à liderança a partir do momento em que viu o seu lugar contestado pela segunda vez (a primeira havia sido no início da semana, mas o ex-primeiro-ministro sobreviveu ao primeiro round), pode agora estar a preparar uma ‘pequena’ vingança: pode demitir-se do seu lugar de deputado, deixando o seu partido numa situação politicamente complicada no parlamento: é que os liberais têm uma maioria de apenas um lugar.
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