A carga policial aconteceu pouco depois de a marcha iniciar o seu trajeto em direção à Mutamba, a cerca de 500 metros do local da concentração, junto ao cemitério de Santana.
A marcha, convocada por ativistas e membros da sociedade civil angolana, teve início de forma fragmentada no Largo do Cemitério da Santa Ana, sendo que os manifestantes se fizeram à Avenida Deolinda Rodrigues, pouco depois das 12:30, meia hora antes do horário previsto.
O movimento das centenas de manifestantes, entre ativistas, membros da sociedade civil, mototaxistas e até “zungueiras” (vendedoras ambulantes) surpreendeu os efetivos da polícia no local, facto que causou um rápido desdobramento após serem “engolidos” pela multidão.
Perante a velocidade dos manifestantes, que marchavam nas duas faixas da avenida, foi solicitada a intervenção da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), tendo esta montado uma barreira logo em cima do viaduto da Unidade Operativa.
A barreira montada pela PIR enfureceu os manifestantes que pretendiam transpor o viaduto, gritando “a polícia é do povo e não é do MPLA (partido no poder)”, enquanto uma outra ala da marcha circulava numa das faixas debaixo do viaduto sem impedimentos.
Os manifestantes “impossibilitados” de marchar por cima do viaduto insistiram no itinerário e, em resposta, a polícia recorreu a granadas de gás lacrimogéneo, provocando o pânico e a dispersão da marcha. Várias pessoas acabaram por desmaiar e outras acabaram feridas, havendo também registos de detenções. A polícia viu-se mesmo obrigada a reforçar o seu efetivo e a cortar o trânsito no local.
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