Hunter Biden, filho do presidente norte-americano Joe Biden, concordou em declarar-se culpado de duas acusações fiscais federais para tentar chegar a um acordo separado com o Departamento de Justiça sobre uma acusação de posse de arma de fogo ilegal.
Em comunicado escrito pelos seus advogados, é afirmado que “Hunter assumirá a responsabilidade por dois casos de falha na apresentação da declaração. O advogado, Christopher Clark, acrescenta que uma acusação separada de posse de armas de fogo “está sujeita a um acordo de desvio preventivo e não será objeto do acordo de delação”. Um “desvio preventivo” é um acordo entre réus e promotores públicos que permite a reabilitação em vez de tempo de prisão.
A acusação de porte de arma diz respeito à posse de uma pistola especial Colt Cobra 38 por Hunter Biden em outubro de 2018 numa altura em que estava indiciado pelo uso de drogas – circunstância em que estava impedido de possuir uma arma. A acusação prevê pena máxima de até 10 anos de prisão.
“Sei que Hunter acredita que é importante assumir a responsabilidade por esses erros que cometeu durante um período de turbulência e vício na sua vida. Ele está ansioso para continuar a sua recuperação e seguir em frente”, dizia ainda o comunicado.
Espera-se que o acordo encerre uma investigação federal de anos sobre os negócios pessoais e profissionais do jovem Biden, que há muito representa uma dor de cabeça política para seu o pai, que alimenta críticas e teorias da conspiração da direita republicana.
Recorde-se que, em 2019, o presidente Donald Trump foi acusado pela Câmara de Representantes de tentar pressionar o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky a revelar o que, segundo ele, eram informações comprometedoras sobre o filho de Biden, que já trabalhou para uma empresa de energia ucraniana. Na altura, o assunto deu várias polémicas – com Zelensky a ser apanhado numa teia de interesses internos dos Estados Unidos em relação à qual, aparentemente, nada tinha a ver.
Num breve comunicado, o porta-voz da Casa Branca, Ian Sams, disse que “o presidente e a primeira-dama amam o seu filho e apoiam-no enquanto ele continua a reconstruir a sua vida. Não teremos mais comentários”.
Biden não foi implicado em nenhuma irregularidade, mas as alegações contra o seu filho relacionadas com os seus negócios internacionais há muito são aproveitadas pelos seus adversários republicanos para o incomodar. Os republicanos da Câmara estão atualmente a conduzindo uma investigação sobre Hunter Biden – ao mesmo tempo que a investigação federal remonta pelo menos a 2018.
Num twite esta terça-feira, o deputado republicano James Comer, que lidera a investigação do Congresso, disse que “Hunter Biden está a safar-se”, mas que os republicanos descobriram evidências claras que “revelam que os Biden se envolveram num padrão de corrupção, tráfico de influência e, possivelmente, suborno”.
Por seu turno, Trump escreveu na sua plataforma Truth Social, que os acordos conseguidos por Hunter são uma “mera multa de trânsito”.
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