Jerome Powell reforçou esta quarta-feira que os juros de referência norte-americanos devem continuar a subir, face a uma inflação que continua demasiado elevada, num processo que ainda tem “um caminho longo a percorrer”. Como tal, o líder do banco central voltou a considerar prudente a pausa determinada na reunião da semana anterior, a primeira em dez encontros da Fed.
Na primeira de duas audições esta semana no Congresso norte-americano, o presidente da Reserva Federal explicou esta quarta-feira aos membros da Câmara dos Representantes que a inflação se mantém alta demais para o objetivo de longo-prazo da autoridade monetária americana. As subidas de juro serão, portanto, para continuar.
Powell voltou a afirmar que “quase todos os membros do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) consideraram que será apropriado voltar a subir taxas mais para o final do ano”, repetindo a linguagem do comunicado que se seguiu ao anúncio da decisão de manter os juros inalterados.
Ainda assim, e face à incerteza da conjuntura, os efeitos atrasados da política monetária na economia real e um possível abrandamento da atividade, o presidente da Fed voltou a frisar a “prudência” da decisão, que tem levantado algumas questões. A perspetiva de taxas mais altas durante mais tempo parece contraditória com uma pausa no ciclo de subidas, embora Powell considere que a opção de junho revela “senso comum” do FMOC.
“A inflação acalmou um pouco desde meados do ano passado, […] mas as pressões inflacionistas mantêm-se elevadas, pelo que o processo de redução ainda tem um caminho longo a percorrer”, afirmou.
Recorde-se que a Fed manteve os juros diretores inalterados em junho no intervalo entre 5% e 5,25%, face a uma inflação homóloga de 4% em maio, o valor mais baixo desde março de 2021.
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