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Zona euro continua a perder fulgor e fica perto da contração em junho

A indústria voltou a pesar nas perspectivas de curto prazo da zona euro, embora também nos serviços o cenário não seja muito animador. A boa notícia vem do lado dos preços, com abrandamentos das pressões no lado dos produtores e dos consumidores.
An official holds a bag with the euro logo during a eurozone finance ministers meeting in Brussels, Belgium May 22, 2017. REUTERS/Francois Lenoir – RTX371AZ
23 Junho 2023, 11h40

Os índices de gestores de compras (PMI) para a zona euro em junho mostram uma economia perto da contração, com uma queda substancial em relação a maio. A indústria continua a pesar nas perspetivas europeias e novo crescimento negativo no segundo trimestre não está excluído.

O PMI composto para a zona euro recuou para 50,3, depois de ter ficado em 52,8 no mês anterior e bastante abaixo das expectativas do mercado, cifradas em 52,5. Apesar de continuar em terreno de expansão da economia (acima de 50), o indicador aproxima-se perigosamente de um cenário de estagnação.

Os serviços continuam a mostrar perspetivas melhores que a indústria, mas em ambos os casos as expectativas estão a deteriorar-se. O sector terciário registou uma queda assinalável, de 55,1 para 52,4, enquanto o secundário mergulhou ainda mais fundo, caindo de 44,8 em maio para 43,6 este mês.

A maior restritividade no crédito da zona euro parece dar sinais, com reduções de emprego na indústria pela primeira vez desde janeiro de 2021 e um abrandamento claro no crescimento deste indicador nos serviços, que parecem ter perdido a vitalidade demonstrada no início do ano.

Uma notícia animadora vem do lado dos preços: tanto nos preços de venda, como nos custos de consumos intermédios, os produtores europeus sinalizam uma expectativa de maior calma nos próximos meses. A redução da pressão será, ainda assim, mais evidente na indústria, onde os entupimentos das cadeias logísticas estão largamente ultrapassados e a procura tem vindo a abrandar.

Os dados desta sexta-feira permitem projetar novo trimestre de crescimento nulo ou ligeiramente negativo, apontam o banco ING e a Pantheon Macro, embora com cenários opostos no que respeita à política monetária. O banco neerlandês projeta que o tropeção da zona euro não seja suficientemente grande para levar a uma pausa nas subidas de juros, enquanto o think-tank britânico vê nestes dados algumas munições para os membros mais dovish do BCE, que pretendem avaliar os efeitos na economia real da escalada dos juros.

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