O requerimento da Iniciativa Liberal para ouvir o ministro da Saúde sobre a contratação de médicos cubanos foi chumbado, esta quarta-feira, com votos a favor de todos os partidos, exceto do PS. Como tal, os liberais avançaram com um pedido potestativo para ouvir o governante.
Ao Jornal Económico, a liberal Joana Cordeiro explicou que o requerimento foi rejeitado porque da “parte do PS utilizaram o argumento de que ainda não está oficializado nenhum contrato”. No entanto, a liberal referiu que até ao momento ainda nenhum membro do Governo veio “desmentir a ideia de que seriam contratados médicos cubanos”.
Para os liberais, a audição com o ministro da Saúde sobre a contratação de médicos cubanos é importante, dado que, no passado, o Governo de José Sócrates avançou com a contratação de médicos daquele país e “foi uma experiência não muito positiva”. “Os médicos recebiam apenas cerca de 20% do que o Estado português pagava”, frisou Joana Cordeiro.
No requerimento, que foi chumbado, e no novo pedido de audição, o partido aponta que “a propósito destas contratações anteriores que Portugal já celebrou com Cuba, mais do que uma organização internacional, como a Human Rights Foundation e a Human Rights Watch, já se pronunciaram chamando a atenção para que o modelo de contratação de médicos cubanos como aquele que, aparentemente, se quer agora retomar em Portugal, pode constituir trabalho forçado e violação de direitos”.
“De acordo com relatórios dessas organizações internacionais, estes médicos e as suas famílias são altamente controlados pelo seu país de origem, não podendo circular livremente, não tendo liberdade de expressão”, descreveu o partido liderado por Rui Rocha.
De recordar que no final da semana passada o “Jornal de Notícias” avançou que o Governo ia contratar 300 médicos cubanos. O Jornal Económico falou com secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos que considerou que a contratação de médicos cubanos é uma forma de fazer chantagem com os médicos portugueses.
Jorge Roque da Cunha disse também que da última vez que um governo PS decidiu contratar médicos cubanos “não correu bem” porque o governo cubano ficava com a maior parte do dinheiro pago pelo Estado português.
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