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‘Rentrée’ do Tesouro deverá ser tranquila com colocação suave de dívida a cinco e 10 anos

Portugal volta aos mercados esta quarta-feira para emitir até mil milhões de euros em obrigações, numa altura em que o atenuar das posições dos líderes italianos sobre as regras europeias está a beneficiar o sentimento em relação às dívidas soberanas dos países da perferia da zona euro.
D.R.
12 Setembro 2018, 07h27

Após o intervalo sazonal de dois meses, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP volta ao mercado de dívida pública esta quarta-feira através de um leilão de Obrigações do Tesouro (OT) a cinco e dez anos. O objetivo de colocar um total entre 750 milhões e mil milhões de euros deverá ser atingido sem problemas, dado o momento de calma que as dívidas da periferia da zona euro atravessam no mercado secundário.

“À partida deve correr bem. Vimos recentemente um certo amenizar da questão italiana, que também permitiu a Espanha ir ao mercado”, explicou Filipe Garcia, economista e presidente da IMF- Informação de Mercados Financeiros.

A crise política e a formação de um Governo populista e crítico da União Europeia e do euro causou nervosismo aos investidores no início do verão, mas nos últimos dias os líderes italianos têm suavizado as posições, garantindo que o orçamento para o próximo ano irá obedecer às regras europeias. O alívio dos investidores é claro: a yield da obrigações italianas a 10 anos fechou esta terça-feira nos 2,94%, significativamente abaixo dos 3,24% no final de agosto.

Filipe Garcia adiantou que a emissão ocorre em vésperas de reunião do Conselho de Governadores dos Banco Central Europeu “mas as coisas estão relativamente calmas, mais calmas do que estavam há um mês”.

Acrescentou ainda que “as outras indicações que temos é que ao nível das emissões corporativas que têm havido no espaço europeu, as condições destas emissões do princípio de setembro são parecidas com as das antes das férias, portanto não me parece que haja uma alteração especial”.

O último leilão de obrigações portuguesas a 10 anos teve lugar a 11 de julho. Na altura, o Tesouro colocou 650 milhões de euros, tendo pago um juro de 1,727%. A procura ficou 2,02 vezes acima da oferta.

Já nas Obrigações a cinco anos, o anterior leilão comparável foi dia 13 de junho. Foram, então, emitidos 412 milhões de euros, com uma taxa de colocação de 0,746%. A procura superou a oferta em 2,70 vezes.

No mercado secundário a taxa da dívida a 10 anos fechou a sessão de terça-feira nos 1,89%, enquanto a das obrigações a cinco anos terminou nos 0,688%.

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