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“Princípio do fim”. AIE alerta para menor procura de combustíveis fósseis antes do esperado

“De acordo com as novas projeções da AIE, esta era de crescimento aparentemente incessante vai chegar no fim desta década, com consequências significativas para o sector energético global e a luta contra as mudanças climáticas”, indica o diretor da Agência Internacional da Energia (AIE).
petróleo
12 Setembro 2023, 11h01

A Agência Internacional da Energia (AIE) já deixou o alerta. As novas projeções indicam que o consumo dos três principais combustíveis fósseis vai começar a diminuir já no início da próxima década, ou seja, daqui por sete anos.

O rápido crescimento das energias renováveis e adoção de veículos elétricos farão com que a procura pelos combustíveis fósseis apresentem um pico de procura até 2030 mas que o seu uso se vá desfasamento com o passado dos anos.

“Mesmo sem qualquer nova política climática, a procura de cada um dos três combustíveis fósseis deverá atingir um pico nos próximos anos”, afirmou o diretor executivo da AIE, Fatih Birol, num artigo de opinião publicado pelo Financial Times.

Esta nova perspetiva baseia-se nas mais recentes projeções do relatório anual da AIE para 2023, que será publicado no próximo mês.

Na opinião de Birol, “esta é a primeira vez que é visível um pico na procura de cada um destes combustíveis ao longo da década”. O “princípio do fim” da procura, diz o diretor da AIE, vai chegar mais cedo do que muitos esperavam.

“Estamos a testemunhar o princípio do fim da era dos combustíveis fósseis e precisamos de nos preparar para a próxima era”, sustentou no Financial Times.

Fatih Birol faz ainda uma observação mais atenta. “No sector energético tradicional existe um tabu que impedir de sugerir que a procura pelos três combustíveis fósseis possa entrar em declínio permanente. Apesar de ao longo dos anos se falar repetidamente do pico do petróleo e do carvão, ambos os combustíveis estão a atingir máximos históricos, por isso é mais fácil contestar qualquer afirmação de que poderão entrar em declínio para breve”.

“De acordo com as novas projeções da AIE, esta era de crescimento aparentemente incessante vai chegar no fim desta década, com consequências significativas para o sector energético global e a luta contra as mudanças climáticas”, indica.

Nas perspetivas anteriores, a AIE previa apenas que a procura global de petróleo atingisse o seu máximo antes do fim da década. A atualização incluiu agora o gás natural e carvão.

Fatih Birol lembra que os EUA e a União Europeia lançaram programas ambiciosos para apoiar o rápido crescimento das energias renováveis, ainda que enfrentem fortes críticas sobre os custos, o que poderá levar os eleitores a votarem nos partidos populistas.


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