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Dólar forte leva Navigator a valorizar 3% e PSI 20 fecha no ‘verde’

A Fed subiu os juros de referência pela terceira vez este ano e sinalizou novos aumentos, dando força ao dólar. Na Europa, a tendência positiva foi generalizada a todas as bolsas.
27 Setembro 2018, 16h52

A Bolsa de Lisboa fechou esta quinta-feira com ganhos, graças ao impacto positivo da valorização do dólar no setor do papel e pasta de papel. O PSI 20 avançou 0,64% para 5.424,27 pontos, num dia verde na generalidade das praças europeias.

“A envolvente internacional (e bruscas inversões de tendência que origina) voltou a influenciar a bolsa portuguesa”, explicaram os analistas do BPI. “Esta envolvente foi marcada pela reação dos investidores asiáticos e europeus à reunião da Fed”.

A Reserva Federal dos EUA subiu, esta quarta-feira, os juros de referência em 25 pontos base para um intervalo entre 2% e 2,25%. Foi o terceiro aumento este ano, tendo o banco central sinalizado que pretende continuar o caminho. A instituição liderada por Jerome Powell retirou ainda do discurso a típica expressão – usada durante a crise – que a política monetária irá continuar “acomodatícia”.

A reação foi um novo ímpeto ao dólar, que se aprecia 0,58% contra o euro, para 1,1671. Nas ações portuguesas, o setor do papel e pasta de papel é especialmente sensível às movimentações do dólar dado o carácter exportador do negócio. As ações da Navigator subiram 2,73% para 4,288 euros, enquanto a Semapa ganhou 1,05% para 17,28 euros.

No ‘verde’ destacaram-se ainda a Mota-Engil (2,33%), a EDP (0,98%) e o BCP (0,65%). Em sentido contrário, a Pharol (0,56%), a Altri (0,36%), a Sonae (0,28%) e a Galp (0,06%) fecharam no vermelho.

Itália troca as voltas à Europa

A sessão ficou também marcada pelos investidores a monitorizarem a evolução do debate orçamental em Itália. Os analistas do BPI explicam que termina esta quinta-feira o prazo para o Governo italiano apresentar o primeiro esboço do Orçamento do Estado para 2019, mas esta deverá ser adiada por divergência dentro do Executivo em relação ao défice.

“O líder do Movimento 5 Stelle Di Maio defende um défice público de 2,4% (de forma a implementar o rendimento de cidadania). Por seu lado, o Ministro das Finanças Tria propõe, em acordo com a Comissão Europeia, um défice entre os 1,60% e os 2%”, referem.

“As perdas iniciais do mercado italiano foram posteriormente atenuadas pela notícia que o Executivo italiano iria reunir-se ainda hoje às 20h00 locais e pela realização de um leilão de dívida italiana que atraiu um interesse comprador bastante razoável”, acrescentaram os analistas do BPI.

Neste cenário, a bolsa italiana fechou a cair 0,62%, mas os problemas não contagiaram as restantes bolsas. O índice pan-europeu Euro Stoxx 50 subiu 0,47%, o alemão DAX ganhou 0,40%, o francês CAC avançou 0,5%, o espanhol IBEX 35 valorizou 0,03% e o britânico FTSE 100 apreciou-se 0,44%.

[Notícia atualizada às 17h05]


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