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Banco de Portugal revê em baixa crescimento do PIB para 2,1% este ano e estima inflação de 3,6% em 2024

A economia portuguesa cresce 2,1% em 2023. Quem o diz é o Banco de Portugal que explica que “após o dinamismo do início do ano, a atividade estagnou no segundo e terceiro trimestres e deverá manter um crescimento baixo até ao final do ano”.
4 Outubro 2023, 14h49

A economia portuguesa cresce 2,1% em 2023. Quem o diz é o Banco de Portugal que explica que “após o dinamismo do início do ano, a atividade estagnou no segundo e terceiro trimestres e deverá manter um crescimento baixo até ao final do ano”.

“O abrandamento económico reflete o menor dinamismo nos principais parceiros comerciais, os efeitos da inflação e a maior restritividade da política monetária”, acrescenta o BdP que para 2024 e 2025, projeta crescimentos de 1,5% e 2,1%.

A economia portuguesa continuará a apresentar um crescimento baseado no investimento e nas exportações, convergindo com a área do euro, segundo o BdP.

Já a inflação diminuiu nos últimos meses. “A tendência descendente irá manter-se, com o índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC) a crescer 5,4% em 2023, 3,6% em 2024 e 2,1% em 2025, um valor consistente com o objetivo de estabilidade de preços do Banco Central Europeu (BCE)”, defende o banco central.

O consumo privado terá aumentos inferiores ao crescimento económico, refere o BdP. “Este comportamento beneficia de ganhos do rendimento disponível real, resultantes da moderação dos preços e do aumento do emprego e dos salários, mas é limitado pela subida das taxas de juro. Complementarmente, a taxa de poupança deverá aumentar gradualmente para 7,4% em 2025, acima da média pré-pandemia”, acrescenta o Banco de Portugal.

O Banco de Portugal aponta que o investimento desacelera este ano, crescendo 1,5%, num quadro de financiamento mais oneroso e abrandamento da procura global. “Para 2024-25, projetam-se taxas de variação de 5%, refletindo a aceleração da procura global e da execução dos fundos europeus”, alerta a instituição.

Por outro lado, o crescimento das exportações acompanha a procura externa. “Prevê-se um menor crescimento das exportações de serviços com a dissipação da recuperação pós-pandémica do turismo”, segundo o Boletim Económico de outubro, divulgado esta quarta-feira.

A balança corrente e de capital deverá apresentar excedentes em torno de 3% do PIB em 2023-25, refletindo o aumento das transferências da UE e o retorno a excedentes da balança de bens e serviços, antevê o banco central.

Por outro lado, o mercado de trabalho refletirá o abrandamento da economia com ganhos no emprego inferiores aos do passado recente. A taxa de desemprego deverá apresentar uma trajetória ligeiramente ascendente, situando-se em 6,9% em 2025.

“Os riscos em baixa para a evolução da atividade advêm de um abrandamento mais pronunciado na China e no comércio internacional, de um impacto mais adverso do que o incorporado nas projeções das atuais condições financeiras e de um reforço da restritividade da política monetária”, refere o Boletim.

Para a inflação, os riscos de novos choques sobre os preços das matérias-primas ou de uma maior persistência das pressões internas são contrabalançados pela materialização dos riscos em baixa sobre a atividade económica.


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