O Goldman Sachs publicou uma revisão dos price-targets das ações das “Big Oil” europeias – o que inlcui a Shell, a ENI, a BP, Repsol, Galp, Equinor, Total Energie, entre outras – com base nos resultados do terceiro trimestre. Para a portuguesa Galp reviu em alta o preço-alvo das ações em 6,7% para 16 euros por ação. O anterior price-target era de 15 euros. A Galp está a cotar nos 13,34 euros, pelo que o preço-alvo dado pelo Goldman Sachs incorpora um potencial upside de 20%. No entanto o banco de investimento baixou a recomendação de “buy” para “neutral”, ou seja, deixou de recomendar a compra das ações.
“Reduzimos a classificação da Galp para Neutral após o recente desempenho superior face aos pares e um rendimento de retornos para os acionistas mais baixo em comparação com a média dos seus pares (cerca de 9% em 2023-24 o que compara com cerca de 11% da média da EU Oils)”, diz a casa de investimento.
A metas de preços para as ações da petrolíferas são para um horizonte de 12 meses, e o banco norte-americano detalha as vantagens implícitas e principais riscos nas suas estimativas.
No caso da Galp aponta aos preços do petróleo mais baixos/mais altos ou ao menor sucesso na exploração do que esperado e a surpresa positiva/negativa para o crescimento ou o capex, como fatores de risco na estimativa.
Com o fecho do terceiro trimestre o Goldman Sachs publicou a sua visão sobre os resultados e cash-flow das grande petrolíferas europeias no trimestre, reflectindo a dinâmica positiva dos principais factores macroeconómicos, apesar da correção desta semana, em particular no que se refere às margens de petróleo e de refinação impulsionadas por um subinvestimento estrutural de vários anos na indústria.
“Acreditamos que estamos de volta às revisões positivas dos lucros no sector agora com o Brent à vista (spot) em cerca de 85 dólares/barril e com uma estimativa do preço do petróleo incorporado para o quarto trimestre de 90 dólares/bbl. Vemos a continuação de um forte desempenho dos lucros a abrir caminho a maiores retornos em dividendos para os acionistas através de grandes programas de recompra de ações (produzindo um retorno adicional em dinheiro para os acionistas de 5%-9% em 2023, para além de um dividend yield médio de 4,8%)”. dizem os analistas.
“Neste relatório, actualizamos as nossas estimativas antes dos resultados do terceiro trimestre e destacamos três potenciais catalisadores chave para um desempenho superior nos próximos 12 meses, que impulsionam uma subida média implícita de 25% nos nossos preços-alvo para o setor”.
“Concentramo-nos neste relatório em quatro elementos-chave de diferenciação no sector”, dizem os analistas referindo-se aos “balanços resilientes que permitem maior flexibilidade nos retornos em cash para os acionistas. As grandes empresas petrolíferas da UE construíram balanços sólidos, com rácio de dívida sobre capital – Net debt to capital employed (ND/CE) – a 10%, em média, esperado para o final de 2023, em comparação com um intervalo de longo prazo de 15-30%. Em particular, destacamos Equinor, OMV, Repsol e Shell”.
Mas também referindo-se aos free cash-flows resilientes e à contínua disciplina de capital, com o sector a gerar um rendimento esperado de FCF de 15% em 2024, bem acima das médias históricas. “Em particular, focamo-nos na reestruturação e na eficiência do capital”.
O terceiro elemento chave de diferenciação é “o subinvestimento e a escassez da oferta, que discutimos em detalhe no nosso relatório Top Projects 2023, que sugerem um baixo crescimento nos países não-OPEP e um pico de produção de xisto em 2026-27. Num sector com falta de crescimento de produção, destacamos Shell, ENI e Galp pelos seus atrativos portfólios de Top Projects”
O quarto elemento apontado refere-se às revisões de lucros. “As nossas estimativas implicam uma forte dispersão para as revisões de resultados de 2023-24 e sugerem um potencial de subida significativo em relação às estimativas de consenso”, diz o Goldman Sachs.
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