O Nobel da Economia de 2023 foi entregue a Claudia Goldin, uma economista e historiadora económica que tem feito investigação sobre diversos temas, mas que se distinguiu pela análise do papel da mulher no mercado de trabalho – não só do ponto de vista da sua importância económica, como principalmente da nova identidade que o trabalho transmitiu às mulheres.
Nobel da Economia atribuído à norte-americana Claudia Goldin
A investigadora, ligada à Universidade norte-americana de Harvard, concentrou a sua investigação nos Estados Unidos – que não é uma realidade que possa ser transposta para outras sociedades, desde logo as ‘não-cristãs’, mas que dá pistas sobre a evolução global.
Para Susana Peralta, professora da Nova SBE, “o trabalho e a investigação de Claudia Goldin é essencial” para definir o papel crescente que a mulher foi tendo desde que se aproximou do mercado de trabalho.
Depois de uma primeira fase no século XIX, “onde a mulher assumia um papel secundário no mercado de trabalho e nunca numa perspetiva de carreira, Claudia Goldin identificou a década de 70 do século passado como o período revolucionário” que alterou profundamente tudo o que tinha a ver com a matéria.
“Foi a partir dessa fase revolucionária que Goldin afirma que há alterações substanciais, nomeadamente na forma como a mulher encara o trabalho, que deixa de ser secundário para passar a ser identificador da própria mulher”. Há portanto causas e consequência económicas mas também sociais na aproximação da mulher ao mercado de trabalho, que, segundo Susana Peralta, foram exaustivamente investigadas pela agora prémio Nobel. Desde a diferença de salários entre homens e mulheres até ao papel da pílula no processo de absorção das mulheres pelo mercado de trabalho, Claudia Goldin estudo todas as vertentes associadas à matéria.
Na conferência de imprensa a Real Academia Sueca das Ciências, os especialistas que ajudaram a contextualizar o trabalho de Claudia Goldin explicaram que a investigadora não apresenta soluções de política que possam ajudar o chamado “fosso salarial”. Mas estes mesmos especialistas sublinham que o trabalho de Goldin é essencial para enquadrar de forma científica esta questão, algo que é essencial para que se possam tomar medidas políticas corretas.
Goldin nasceu em Nova Iorque em 1946 numa família judia e cresceu no complexo habitacional Parkchester, no Bronx – que não era propriamente o bairro mais conceituado da cidade. A sua primeira pulsão foi a arqueologia, mas, segundo a sua biografia, ao ler “The Microbe Hunters” (1927), de Paul de Kruif, foi atraída pela bacteriologia. No segundo ano desse curso, Goldin teve uma aula com Alfred Kahn, cujo prazer absoluto em usar a economia para descobrir verdades ocultas a fez mudar os azimutes. Fascinada pela regulação e organização industrial, os tópicos que interessavam a Kahn, Goldin acabou por formar-se em Economia na universidade de Cornell e entrou no programa de doutorado na Universidade de Chicago com a intenção de estudar organização industrial. Algures no tempo acabou por derivar para a economia do trabalho e, em seguida, para a história económica – que lhe permitiu obter uma ‘imagem’ mais abrangente da própria economia.
Após o doutoramento, esteve na Universidade da Pensilvânia antes de ingressar no departamento de Economia da Universidade de Harvard, em 1990. A partir daí, o seu esforço de investigação passou a versar o papel da mulher – mas paralelamente desenvolveu um assinalável esforço para dotar as mulheres de instrumentos formativos que lhe permitissem lutar de igual para igual com os homens, precisamente no mercado de trabalho.
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