Akbar Al Baker, CEO da Qatar Airways e um dos homens mais poderosos da aviação, está a preparar-se para deixar o cargo após 27 anos à frente do grupo – um dos mais importantes do mundo no sector. Al Baker ficou famoso, recordam os jornais, pelos seus comentários polémicos sobre as companhias aéreas dos Estados Unidos – que, segundo a sua análise, não passariam de “lixo”. A estas polémicas, acrescentou também comentários que o mundo foi considerando cada vez mais misóginos sobre as executivas das companhias aéreas.
A reforma de Al Baker entrará em vigor em 5 de novembro próximo, confirmou a Qatar Airways em comunicado. O CEO será sucedido por Badr Mohammed Al-Meer, que é atualmente diretor de Operações do Aeroporto Internacional de Hamad, em Doha, o hub da companhia aérea nacional do Qatar.
No comunicado, a Qatar Airways afirma que a companhia “cresceu para se tornar uma das marcas mais reconhecidas e globalmente confiáveis ” sob a liderança de Al Baker. E recordou que foi por sete vezes considerada a ‘Melhor Companhia Aérea do Mundo’, entre muitos outros prémios.
“Durante o seu mandato na Qatar Airways, Al Baker ficou conhecido por ser um dos líderes mais ativos da indústria aérea, com uma abordagem dura e às vezes conflituosa que levou às negociações com grandes fabricantes”, observa a Associated Press.
No meio destas conversas ‘ásperas’, Al Baker tinha ainda tempo para fazer comentários polémicos sobre a sua carreira, nomeadamente sugerindo que as mulheres não podem administrar companhias aéreas – o que não será propriamente uma surpresa, se se recordar que o Qatar é um país xiita.
Divertia-se também a chamar as companhias aéreas dos Estados Unidos de “lixo”, dizendo que os passageiros “eram servidos por avós” – o que deixava explícito o que considerava ser o lugar das mulheres numa companhia aérea. Mais tarde, diz o comunicado, viria a desculpar-se de tudo isto, como recorda o jornal “El Economista”.
Akbar Al Baker participou ativamente na polémica que resultou da organização do campeonato de futebol no seu país, desprezando as acusações de que a organização tinha usado trabalhadores imigrantes mal pagos para deixar tudo preparado.
Em julho passado, a Qatar Airways anunciou lucros de 1,2 mil milhões de dólares, onde estavam incorporadas as receitas provenientes do campeonato de futebol. O facto de ter sido um apuro menor que no ano anterior (1,5 mil milhões) ficou a ser devido ao aumento das despesas operacionais (particularmente os combustíveis para a aviação). As receitas da companhia ultrapassam os 20 mil milhões de dólares.
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