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“Europa depende excessivamente do sector bancário”, crítica Maria Luís Albuquerque

Ex-governante sublinhou esta quinta-feira, numa conferência na Universidade Lusófona, em Lisboa, a necessidade de se desenvolver uma união de mercado de capitais no espaço europeu para reduzir a dependência da banca para financiamento da economia.
A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque defendeu em abril deste ano, na Comissão Eventual Parlamentar de Inquérito às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, que era “sua convicção pessoal” de que a nacionalização do Banco Espírito Santo (BES) sairia muito mais cara ao Estado do que a Resolução que veio a ser feita
2 Novembro 2023, 11h07

Maria Luís Albuquerque, antiga ministra das Finanças, criticou esta quinta-feira a dependência, no seu entender excessiva, da Europa face ao sector bancário. Na mesma medida, esta ex-governante sublinhou a necessidade de se desenvolver uma união de mercado de capitais no espaço europeu.

Esta ideia foi desenvolvida na conferência “União Europeia: que futuro?” que teve lugar esta quinta-feira de manhã na Universidade Lusíada, em Lisboa.

“Na Europa temos uma dependência excessiva do sector bancário já que 65% a 80% do financiamento da economia depende da banca. Pelo contrário, nos EUA não existe essa dependência dos bancos já que o financiamento faz-se através dos mercados de capitais”, destacou a antiga governante.
Detalhando essa ideia, Maria Luís Albuquerque referiu que “muitas boas ideias para a criação de startups tecnológicas nascem na Europa mas estas vão-se financiar nos EUA. Isto é um problema grave para a Europa. Precisamos de um mercado de capitais desenvolvido para que a riqueza destas empresas inovadoras seja gerada na Europa”.

Na visão da ex-governante, a “união financeira” no contexto europeu seria “mais do que uma união económica” e que essa “permitirá extrair benefícios que de outra forma não teríamos”.Maria Luís Albuquerque considerou que as crises, sejam de que natureza forem, “dão oportunidades para desbloquear problemas políticas” e deu o exemplo das dívidas soberanas: “A crise das dívidas soberanas permitiu a criação da união bancária, por exemplo. Foram criadas condições políticas para criar a supervisão do sector financeiro e aplicar as mesmas regras na área do euro e a países aderentes”.

A antiga ministra das Finanças apontou duas reformas que ficaram por fazer nesse enquadramento que passam pela criação de um fundo de garantia de depósitos e, sobretudo, a união do mercado de capitais. Maria Luís Albuquerque admitiu que este último “não é um tema muito sexy em termos políticos” e “tem que enfrentar muitos interesses instalados e toca em temas muito sensíveis”.

Por outro lado, a antiga governante defendeu que “devíamos ter uma praça europeia verdadeiramente competitiva até porque já não temos o Reino Unido connosco. Nenhuma outra chega a esse nível. Temos um mercado de capitais que na prática não existe”. Sobre Portugal, Maria Luís Albuquerque foi lacónica: “Temos um PSI que nem sequer vinte empresas tem”.

“Temos muita poupança mas se não conseguimos aproveitá-la de forma eficaz não vamos ter sucesso nas transições digitais e verdes que se exigem”, concluiu.

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