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Um nome maior que continua a escrever a história da arte portuguesa

“Álbum de Família” ilustra as muitas as possibilidades de (re)começo da coleção constituída por Maria da Graça Carmona e Costa. Um “álbum” que nos mostra a extraordinária inventiva da arte contemporânea portuguesa. Para ver no MAAT e na FCC até início de 2024.
29 Novembro 2023, 18h45

Não há como começar este texto sem invocar o nome de Maria da Graça Carmona e Costa, cuja longa carreira rima com visão e capacidade de risco. Como teria sido o panorama artístico português sem ela? Como estaria a arte contemporânea em Portugal sem a sua persistência?

A resposta remete, pelo menos, para três vertentes: as bolsas de estudo em arte contemporânea que teima atribuir – manifesto dessa mesma persistência; a aquisição de obras para a coleção da fundação que leva o seu nome; e a regular produção de exposições.

Resistir é, pois, outro verbo que lhe cai bem. Resistir inovando o olhar sobre as criações de artistas desconhecidos, de nomes em construção e outros já firmados. Não terá sido um gesto fortuito aquele que o governo português teve, em 2018, quando lhe atribuiu a Medalha de Mérito Cultural. Mas recuemos um pouco no tempo.

Maria da Graça Carmona e Costa iniciou o seu percurso nos anos 60 na Galeria Quadrum, nos anos 80 fundou a Giefarte e, em finais de 90, instituiu a Fundação Carmona e Costa (1997). Ora, é precisamente nesta “casa de partida”, a Fundação Carmona e Costa (FCC), que tem início a exposição “Álbum de Família”, que agora se mostra ao público em dois locais expositivos, i.e., na FCC e no MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa.

A coleção privada daquela que é a mais importante mecenas particular no país é, pela primeira vez, exposta ao público. Com curadoria de Manuel Costa Cabral e João Pinharanda, este é, sem dúvida um álbum de família, espaço de encontro dos elementos que a constituem: de Ilda David, Rui Chafes e Jorge Martins, a Manuel Rosa, João Queiroz e Pedro Cabrita Reis, ou ainda António Sena, Vieira da Silva, Rui Sanches, Pedro Saraiva, Julião Sarmento, Fernanda Fragateiro, entre muitos outros. Uma família sempre em construção, reflexo de uma enorme paixão pela arte, esta casa de Maria da Graça.

Na entrada da Parte I, na Central Tejo, em Belém, o visitante é recebido por uma grande nuvem negra, da autoria de Pedro Calapez, sobre uma parede amarela, onde uma constelação de livros de arte e catálogos se espraia. A chancela FCC não passa despercebida, ou não fossem aquelas publicações financiadas pela Fundação. Homenagem? Resenha histórica em forma de nuvem?

O outro início, a Parte II, na FCC, revela “Mapa”, de Maria José Oliveira, no qual sacos de café dão forma a quatro mundos, quatro planetas. Mais intimista, o espaço é dominado pelo desenho e fotografia, a par de esculturas de menor dimensão.

O leitor poderá questionar-se por que razão só falamos aqui de inícios. A resposta é simples: vá conhecer este “Álbum de Família” e verá como são muitas as possibilidades de (re)começo desta coleção. Um “álbum” que nos mostra a extraordinária inventiva da arte contemporânea portuguesa.

Álbum de Família I” está patente no MAAT até 1 de abril de 2024; “Álbum de Família II”, na Fundação Carmona e Costa, até janeiro de 2024


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