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Sérgio Moro: entre a justiça e a ambição política

Acusado de ser o coveiro do PT e o carcereiro de Lula da Silva, Sérgio Moro vai mesmo ser ministro. A questão que fica por responder, para já, é até onde vai a sua ambição.
Antonio Lacerda / EPA
1 Novembro 2018, 19h07

Não houve nos últimos anos nenhum caso de corrupção, lavagem de dinheiro, branqueamento de capitais e fuga ao fisco que não tenha passado pelas suas mãos. Eleito a personalidade do ano em 2014 por vários órgãos de comunicação social – devido ao caso Lava Jato – Sérgio Moro é idolatrado pelos que consideram que não olha a comprometimentos políticos quando é preciso levar suspeitos à barra dos tribunais e é odiado pelos que acham que tem uma agenda política ‘escondida’ por baixo das sentenças que profere.

Nascido na cidade panamense de Maringá, Sérgio Moro, que ainda não completou 50 anos, formou-se em Direito na Universidade Estadual de Maringá em 1995, tornando-se juiz federal no ano seguinte. Mestre e Doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná, completou os seus estudos em Harvard, Estados Unidos, em 1998.

Mas terá sido a participação em vários e restritos programas de estudo sobre lavagem de dinheiro promovidos pelo Departamento de Estado norte-americano que o fez tornar-se um especialista na matéria.

Além da Operação Lava Jato, Sérgio Moro conduziu o caso Banestado (que resultou na condenação de 97 pessoas, entre 2003 e 2007); e a Operação Farol da Colina, (onde decretou a prisão temporária de 103 suspeitos de evasão de divisas, sonegação, associação criminosa e lavagem de dinheiro. No escândalo do Mensalão – corrupção política pela compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional do Brasil (2005 e 2006) – Moro foi especialmente convocado para auxiliar às investigações.

Moro tem extensa obra publicada sobre as matérias da sua especialidade – onde aborda não apenas temas judiciais, mas também, por exemplo, as consequências da corrupção nos regimes democráticos ocidentais.

Uma das imagens mais célebres de Moro é a sua condução do interrogatório ao já na altura ex-presidente Inácio Lula da Silva. Entre as várias vezes que conseguiu levar Lula da Silva à exasperação e o ar de absoluto foco nos temas de direito, Moro foi implacável como sempre e eficaz como nunca. Foi a partir daí que o ex-presidente deixou de ter qualquer hipótese de voltar a concorrer às eleições, o que acabou por abrir caminho a alguém – no caso, a Jair Bolsonaro.

O facto de ter aceite o cargo de ministro foi suficiente para levar os seus detratores a afirmarem que, afinal, tinham razão: o juiz tinha mesmo uma agenda política escondida debaixo das sebentas de Direito. Indiferente a isso, a grande dúvida é saber-se até onde poderá ir a sua carreira política – ele que, ninguém duvida, é um juiz claramente ambicioso.


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