O Fórum UE-EUA – organização norte-americana fundada por dois ex-conselheiros de Donald Trump, Matt Mowers (ex-conselheiro no Departamento de Estado) e Joseph Grogan (ex-diretor do Conselho de Política Interna), está “chocado” com a deriva que se estabeleceu na Europa nesta fase anterior às eleições para o Parlamento Europeu. Resultados de uma sondagem organizada pelo fórum apontam para que os europeus “anseiam por soluções políticas conservadoras, pois os Estados-membros da União lutam contra o custo de vida, a imigração ilegal, censura governamental e problemas de produção de alimentos”.
Criada para “lançar luz sobre as políticas prejudiciais da EU a fim de impedir que se espalhem nos Estados Unidos” e para “destacar as diferenças de opinião do público e dos políticos na UE e nos EUA”, a organização conduziu o inquérito em cinco Estados-membros: França, Alemanha, Itália, Países Baixos e Portugal.
Os resultados “sugerem uma forte insatisfação com a liderança atual da Europa e uma mudança em direção a soluções políticas conservadoras. As principais questões para os cidadãos europeus entrevistados são o custo de vida, a economia/desemprego e a imigração.
Alex Alvarado, vice-presidente do grupo Tyson, que organizou a pesquisa, disse, citado em comunicado: o estudo “deixa claro que os cidadãos da UE anseiam por mudanças dos governos e das políticas. Há um forte sentimento negativo em relação à direção que a UE está a tomar e à liderança em vários países. Este fenómeno está a impulsionar o aumento do apoio aos partidos conservadores”.
Para aquele responsável, “os cidadãos da UE enfrentam dificuldades financeiras e culpam os altos impostos e as regulamentações energéticas excessivas perseguidas pelos governos nacionais e por Bruxelas. A reação na Europa, no entanto, não se limita apenas à economia. Os entrevistados também estão preocupados com a expansão da censura governamental e a incapacidade dos seus líderes de proteger as fronteiras. Os dados sugerem que uma vasta mudança conservadora está em andamento em alguns dos maiores países da União Europeia”.
O texto que divulga o estudo indica que “os entrevistados acham na maioria dos países pesquisados que a UE está a ir na direção errada sob a sua atual liderança de esquerda”. A tendência é mais pronunciada nos Países Baixos (24% acham que a UE está indo na direção certa – 49% acham o contrário), seguidos pela Itália (29% – 44%) e pela França (32% – 44%). Fica sem se perceber a que “liderança de esquerda” está o Fórum a referir-se – dado que a Comissão Europeia é liderada por uma política conservadora, Ursula von der Leyen, e dos cinco países analisados apenas a Alemanha não tem um governo conservador. Mais: nas últimas eleições em Itália e nos Países Baixos, os partidos mais votados são de extrema-direita.
A sondagem diz ainda que “os índices de aprovação da liderança nos países pesquisados destacam uma insatisfação geral com a governação atual. Na França, o presidente Macron e o primeiro-ministro Attal enfrentam altos índices de desaprovação de 62% e 51%, respetivamente. O chanceler alemão Scholz também enfrenta um índice de desaprovação de 61%, refletindo a frustração dos cidadãos com a gestão das questões econômicas por seus líderes. Na Itália, a aprovação da primeira-ministra Meloni é claramente baixa (36%), enquanto nos Países Baixos, a desaprovação do primeiro-ministro Rutte é de 52%. No caso português, o estudo foi feito antes das eleições de março.
Sem surpresa, o estudo refere que “a imigração ilegal é uma questão significativa para os entrevistados em todos os países pesquisados, destacando preocupações crescentes sobre as políticas migratórias e o seu impacto na segurança nacional, na economia e na estabilidade social. Assim, 76% dos franceses, 76% dos alemães, 76% dos holandeses, 63% dos italianos e 77% dos portugueses concordam que os países devem impor controlos fronteiriços mais rígidos para reduzir o fluxo de imigrantes ilegais que entram na Europa”.
A mesma lógica de combate contra a multilateralidade – um dos temas centrais da agende Donald Trump tanto no seu mandato como presidente dos EUA como na campanha eleitoral que decorre neste momento – encontra-se na invulgar questão “Devemos restabelecer a produção alimentar nacional e incentivar a agricultura dentro das nossas fronteiras?”. As respostas foram esmagadoramente positivas, diz aquela organização, “indicando um reconhecimento generalizado da importância da agricultura local: em Portugal, 89% dos entrevistados concordaram, seguidos pela França (85%), Alemanha (85%), Itália (74%) e Países Baixos (72%)”.
Da agenda norte-americana emana também uma questão sobre energia. Os responsáveis do estudo afirmam que o documento indica que uma maioria aponta a regulamentações excessivas como uma ameaça à segurança económica e nacional. Na Alemanha, 62% dos entrevistados concordaram com a afirmação “As regulamentações energéticas excessivas ameaçam a nossa segurança económica e nacional?”, seguidos pela França (60%), Países Baixos (55%), Portugal (54%) e Itália (46%). Talvez os entrevistados não se tenham dado conta de que foi a regulação que conseguiu manter os preços da energia abaixo de determinado nível, impedindo-os de ir a reboque dos mercados liberalizados. Se assim não fosse, as falências na indústria teriam sido dramáticas, como afirmaram sem exceção as associações sectoriais portuguesas.
Finalmente, a sondagem indica que os cidadãos daqueles cinco países estão cada vez mais preocupados com o facto de os seus governos estarem a retirar-lhes liberdade de pensamento. Quando questionados se concordavam com a afirmação “Estou mais preocupado hoje do que há uma década com a censura governamental das minhas ideias”, um número substancial de participantes expressou concordância: França 65%, Itália 63%, Portugal 57%, Países Baixos 51% e Alemanha 46%.
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