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“Sem TLTRO havia uma situação de stress na economia europeia, que iria necessitar de capital”, diz especialista

Marco Silva, consultor estratégico e de investimento, reconheceu que o BCE foi obrigado a lançar a terceira série de financiamento acessível à banca europeia. O maior risco vem dos bancos espanhóis e italianos que, dentro de 18 meses, terão de pagar as maturidades do financiamento das anteriores TLRO: são 56% de 724 milhões.
13 Março 2019, 09h30

A terceira série de TLTRO anunciada pelo Banco Central Europeu (BCE) na semana passada foi “uma obrigação” do regulador bancário europeu, disse ao Jornal Económico, Marco Silva, analista convidado da ActivTrades.

Já em 2014 e 2016 tinham sido lançadas duas séries de operações de financiamento acessível para a banca europeia, com um prazo de quatro anos.

As TLTRO anunciados recentemente são operações de refinanciamento com um prazo de dois anos – serão lançadas em setembro de 2019 e terminam em março de 2021 – e direccionadas ao apoio de crédito bancário pelo Conselho do BCE. Isto é, “são linhas de crédito para a banca emprestar dinheiro”, explicou Marco Silva, adiantando ainda que também “auxiliam a banca porque fica com custos de financiamento muito baixos”.

Quem pensa que a nova série de TLTRO vai alterar, de alguma forma, a dinâmica da economia europeia e, por arrasto, a economia portuguesa, está enganado. “Apenas mantém o que já existe”, disse Marco Silva. “O único impacto é manter a estabilidade do sistema bancário e não ser ele o motivo de mais um problema no panorama geo-político e na economia europeia”, referiu o consultor.

“Se não houvesse as TLTRO havia uma situação de stress na economia europeia, que iria necessitar de capital”, disse Marco Silva.

Além disso, ao abrigo do Basileia III, os bancos têm de cumprir o rácio NFSR (da sigla inglesa, Net Stable Funding Ratio), que obriga às instituições bancárias terem níveis robustos de financiamento durante um ano. Existe ainda o rácio LSR (Liquidity Coverage Ratio) que requer que os bancos tenham ativos altamente líquidos nos balanços, capazes de cobrir fugas de caixa expectáveis (cash outflows) que ocorram num prazo de 30 dias, em situações de stress.

O Basileia III é um acordo internacional regulatório que foi introduzido para melhorar a regulação, a supervisão e a gestão de risco do setor bancário e que reforçou os critérios de resiliência dos bancos de forma a reduzirem-se os choques sistémicos.

“Com este financiamento acessível (a terceira série TLTRO), o BCE vai ajudar os bancos a cumprirem o rácio NFSR”, explicou Marco Silva, num altura em que estamos a pouco mais de 18 meses do vencimento dos cerca de “380 mil milhões de euros dos TLTRO de 2016”, assinalou.

“O problema é que estamos quase a um ano do término daquela maturidade”, frisou o consultor.

Neste contexto, Marco Silva alertou para o perigo que poderá surgir da banca espanhola e italiana. “Ao abrigo das duas séries de TLTRO anteriores, a banca italiana e espanhola ainda detém 56% dos 724 mil milhões de euros de financiamento do BCE”.

A terceira série de TLTRO “é quase para montar um balão de oxigénio para os bancos italianos e espanhóis”, vincou o consultor.

https://jornaleconomico.pt/noticias/respostas-rapidas-o-que-sao-os-tltro-418516?preview_id=418516&preview_nonce=2afc5018b7&post_format=standard&_thumbnail_id=145040&preview=true


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